Romanticism Rises by Goya (Europe — c. 1800)

Francisco Goya está diante de sua obra-prima assombrosa, "Saturno Devorando Um de Seus Filhos". Pintada por volta de mil oitocentos e dezenove a mil oitocentos e vinte e três, esta obra arrepiante é uma das "Pinturas Negras", uma série criada diretamente nas paredes de sua casa, a Quinta del Sordo. Medindo cento e quarenta e seis centímetros por oitenta e três centímetros, ela agora reside no Museu do Prado, em Madri. Sua profunda escuridão e imagens viscerais, nunca antes vistas, marcam uma mudança radical na expressão artística e refletem a descida do pintor ao desespero pessoal. Goya é o epítome da mudança do estilo Neoclássico para o Romantismo. "Estas não são meras imagens, são reflexos de um mundo quebrado", Goya murmura, seus olhos refletindo os tons sombrios da pintura. "Um mundo onde o velho devora o novo, o medo consome a esperança." Curiosidade Artística: "Saturno Devorando Um de Seus Filhos", mil oitocentos e dezenove a mil oitocentos e vinte e três, Museu do Prado, Madri. Uma das "Pinturas Negras", originalmente pintada nas paredes da casa de Goya.

Uma carruagem chacoalha pelas ruas de Madri. Goya, em seus quarenta e poucos anos, faz uma careta, a mão pressionada contra a orelha. Os vibrantes ruídos da rua – vendedores apregoando, crianças rindo – agora soam abafados e distorcidos, um prelúdio para o silêncio que gradualmente o envolverá. Essa perda de audição o impulsionará para dentro, intensificando a escuridão que mais tarde definirá suas "Pinturas Negras". "Maldito seja este zumbido!", Goya exclama, frustrado. "É como uma tempestade constante dentro da minha cabeça. Isso é tão verdadeiro quanto o que Shakespeare disse: 'Quando as tristezas vêm, elas não vêm como espiões solitários, mas em batalhões.'" Fato Artístico: Goya contraiu uma doença grave em mil setecentos e noventa e três, que o deixou permanentemente surdo.

Anos depois, Goya testemunha a brutal realidade da guerra quando as tropas de Napoleão invadem a Espanha. Esboços preenchem seus cadernos — cenas horríveis de execuções, sofrimento civil e crueldade indizível. Essas imagens alimentarão sua série "Os Desastres da Guerra", gravuras cheias de retratos crus e inflexíveis da barbárie humana que desafiarão as noções tradicionais de heroísmo e glória. "Olhe o que o homem é capaz de fazer ao seu semelhante", Goya sussurra para si mesmo, seu rosto marcado pelo horror. "Isso não é glória, isso é pura loucura." Curiosidade Artística: "Os Desastres da Guerra" é uma série de oitenta e duas gravuras criadas entre mil oitocentos e dez e mil oitocentos e vinte, retratando as atrocidades da Guerra Peninsular.

Goya, agora o pintor da corte de Carlos Quarto, debate-se com o seu papel. Ele é incumbido de pintar retratos lisonjeiros da família real, figuras que ele, em particular, considera ineptas e corruptas. Essa tensão entre o dever e a convicção pessoal vai infiltrar-se sutilmente na sua obra, revelando um olhar crítico por trás do verniz do retrato oficial. Um cortesão diz: "Pinte-os como deuses, Goya!". Goya responde: "Mas senhor, até os deuses têm sombras. Como disse Leonardo Da Vinci: 'A pintura abrange todas as dez funções do olho; isto é: escuridão, luz, corpo e cor, forma e situação, distância e proximidade, movimento e repouso.' Não posso esconder as suas falhas." Curiosidade Artística: Goya serviu como pintor da corte da monarquia espanhola de mil setecentos e oitenta e seis até mil oitocentos e vinte e oito.

Um escândalo irrompe por causa de "La Maja Desnuda" (A Maja Nua), uma pintura encomendada por Manuel Godoy. A obra é chocantemente sensual para a época, retratando uma mulher nua reclinada com uma franqueza sem remorso. A pintura desafia as normas sociais e gera controvérsia, solidificando ainda mais a reputação de Goya como um artista ousado e não convencional. "Uma exibição tão audaciosa da forma humana é algo inédito!", exclama um membro escandalizado da corte. Outro diz: "É arte ou meramente um instrumento para provocar?". Curiosidade Artística: "La Maja Desnuda" (A Maja Nua) causou sensação quando foi exibida pela primeira vez devido à sua representação explícita da nudez.

Temendo repercussões políticas após a restauração da monarquia, Goya isola-se na Quinta del Sordo, sua casa de campo. Ali, rodeado pelo silêncio e assombrado por suas memórias, ele começa a pintar diretamente nas paredes, criando as "Pinturas Negras", uma série de visões de pesadelo que refletem suas mais profundas ansiedades e desilusões. "Preciso me reencontrar, sozinho no silêncio, cercado pelos meus pensamentos mais sombrios", disse Goya ao cocheiro enquanto eles seguiam rapidamente para sua nova casa. Curiosidade Artística: A Quinta del Sordo, a casa de campo de Goya, tornou-se o local de suas criações artísticas mais pessoais e perturbadoras.

Dentro da Quinta, Goya trabalha febrilmente, cobrindo as paredes com imagens perturbadoras. "Saturno Devorando Um de Seus Filhos", "Judite e Holofernes" e "Sabá das Bruxas" emergem da escuridão, cada pintura um reflexo de sua turbulência interior e uma condenação da loucura humana. Essas obras não são destinadas à exibição pública, mas são expressões privadas de seu desespero. "Devo pintar o que me assombra, mesmo que aterrorize os outros", Goya comenta, pincel em mãos. Curiosidade Artística: Goya nunca pretendeu que as "Pinturas Negras" fossem exibidas publicamente; elas foram criadas como expressões privadas de seu mundo interior.

Goya, exausto e desiludido, vende a Quinta del Sordo. As "Pinturas Negras" são deixadas para trás, escondidas do mundo. Anos depois, são descobertas e transferidas para tela, preservando a visão sombria de Goya para a posteridade. O estilo Romantismo logo tomaria conta da Europa. "Essas paredes, essas visões... são demais para mim agora." Goya suspira. "Que sejam descobertas por um mundo pronto para entender a escuridão." Curiosidade Artística: As "Pinturas Negras" foram transferidas para tela em mil oitocentos e setenta e quatro, décadas após a morte de Goya.

Goya exila-se em Bordeaux, na França, buscando consolo e liberdade da agitação política. Ele continua a pintar, mas sua saúde se deteriora. Em mil oitocentos e vinte e oito, ele morre aos oitenta e dois anos, deixando para trás um legado de arte inovadora que desafiou as convenções e explorou os cantos mais sombrios da psique humana. "Em um ato final de reflexão, Goya diz: "Eu vi muito e vivi muito e agora vem a grande recompensa"." Curiosidade Artística: Goya morreu em Bordeaux, na França, em dezesseis de abril de mil oitocentos e vinte e oito, aos oitenta e dois anos de idade.