Forgotten Key to the Bedtime Star

A Cidade da Engrenagem zumbia com mil pequenas engrenagens, cada uma movida por risadas e canções. Yuki, com duas tranças de cabelo castanho-claro amarradas com fitas, pulava pelas ruas de paralelepípedos, suas botas mecânicas tilintando. "Depressa, Tarek!", ela chamou para seu amigo, Tarek, que tinha cabelo preto encaracolado bem rente à cabeça. "A loja do Tecelão de Sonhos fecha logo, e eu preciso de uma nova engrenagem de canção de ninar!"

Dentro da loja mal iluminada, cheia de engrenagens de todos os tamanhos e canções, a Tecelã de Sonhos, uma gentil senhora de idade com óculos apoiados no nariz, sorriu. "Ah, Yuki, de volta para mais uma melodia, vejo", ela riu. Yuki apontou para uma pequena e ornamentada engrenagem escondida em uma prateleira alta. "Aquela! Que canção ela canta?" A Tecelã de Sonhos franziu a testa. "Aquela? Aquela é a Chave Esquecida para a Estrela da Hora de Dormir. Ela está perdida há eras, e é perigoso mexer com ela."

"Perigoso? Por quê?", Tarek perguntou, coçando seu cabelo preto encaracolado. O Tecelão de Sonhos suspirou. "A lenda diz que ele destrava uma estrela que só canta para crianças que têm medo do escuro. Ele pode fazer os sonhos delas se tornarem... desagradáveis." Os olhos de Yuki brilharam de curiosidade. "Mas e se pudéssemos consertá-lo? E se pudéssemos fazê-lo cantar uma canção feliz novamente?" Ela fez uma pausa, lembrando-se de algo. "Como Leonardo da Vinci disse, 'Fiquei impressionado com a urgência de fazer. Saber não é suficiente; devemos aplicar.' Nós devemos tentar!"

A Tecelã de Sonhos, convencida pelo entusiasmo de Yuki, pegou cuidadosamente a Chave Esquecida para a Estrela da Hora de Dormir da prateleira. Era mais pesada do que parecia, feita de prata manchada e gravada com símbolos estranhos. "Tenha cuidado", ela avisou, entregando-a a Yuki. "A estrela que ela destranca está escondida nas profundezas da Biblioteca da Canção de Ninar. Mas cuidado, o caminho até lá é guardado pelos Goblins Barulhentos!" Tarek engoliu em seco, "Goblins Barulhentos? O que eles fazem?"

A Biblioteca da Canção de Ninar era um labirinto de estantes altíssimas, cada uma cheia de partituras encantadas. Enquanto se aventuravam mais fundo, o zumbido da Cidade de Corda diminuía, substituído por um silêncio inquietante. "Escutem!", Yuki sussurrou, parando abruptamente. Um leve tilintar ecoou do corredor. Tarek franziu a testa e apontou para uma placa, cujas letras eram quase ilegíveis na penumbra: POR FAVOR, SILÊNCIO — DORMINHOCOS TRABALHANDO. "Então quem", Yuki sussurrou de volta, "está fazendo todo esse barulho?"

De repente, uma dúzia de Goblins Barulhentos irrompeu por trás de uma estante, batendo panelas e frigideiras e soprando apitos ensurdecedores. "Intrusos!", guincharam, suas vozes surpreendentemente agudas. Eles eram pequenos e verdes, vestidos com roupas remendadas e armados com uma variedade de instrumentos cacofônicos. Tarek levou as mãos aos ouvidos, seu cabelo preto encaracolado balançando. A supressão de ruído claramente não estava funcionando!

"Precisamos distraí-los!", Yuki gritou por cima do barulho. Ela se lembrou de algo que havia lido sobre ondas sonoras em um dos livros da biblioteca. "Tarek, lembra o que a Tecelã de Sonhos nos disse sobre a ressonância harmônica das canções de ninar? Se usarmos corretamente, podemos criar uma barreira sônica para nos proteger do barulho do goblin!" Tarek assentiu, segurando a cabeça. Ele pegou uma flauta da prateleira. "Vale a pena tentar!"

Tarek começou a tocar uma canção de ninar simples e suave. A princípio, ela foi abafada pelo barulho dos goblins, mas lentamente, a melodia ficou mais forte. Enquanto as notas ressoavam, uma luz azul cintilante os cercou, desviando o ruído. Yuki pegou a Chave Esquecida para a Estrela da Hora de Dormir e a inseriu cuidadosamente em uma fechadura em forma de estrela próxima em uma porta grande e ornamentada. "Agora!", ela gritou. Ao girar a chave, o emblema da estrela BRILHOU intensamente.

A porta se abriu, revelando uma pequena estrela cintilante suspensa no ar. Ela pulsava com uma luz suave e triste. Yuki se aproximou cautelosamente. "Ainda está com medo", ela sussurrou. Lembrando-se da canção de ninar que Tarek tocava, ela começou a cantar junto. Enquanto sua voz se unia à melodia da flauta, a luz da estrela ficou mais brilhante, sua tristeza desaparecendo.

A estrela agora brilhava com uma luz radiante e reconfortante, sua canção enchendo a Biblioteca da Canção de Ninar com paz. Yuki sorriu. "Funcionou! A Chave Esquecida não era perigosa de jeito nenhum. Só precisava de um pouco de gentileza e uma canção." Tarek sorriu. "Nós ajudamos a estrela a encontrar sua voz novamente." "Sabe," disse Yuki, "como Helen Keller disse uma vez, 'Sozinhos podemos fazer tão pouco; juntos podemos fazer muito.' Obrigada, Tarek." Eles retornaram à Cidade da Engrenagem, sabendo que mesmo coisas esquecidas poderiam ser bonitas novamente.