Quetzalcoatl's Gift

"Depressa, Ixchel! O mercador celestial de seda está chegando!", gritou a jovem Itzel, puxando a manga da irmãzinha. Itzel, uma garota determinada de dez anos, vasculhou o movimentado mercado em busca da barraca reluzente. Entre portais cintilantes e barracas de comida flutuantes, o mercado fervilhava com escambo de outro mundo. Itzel sabia que hoje elas tinham que conseguir um fio de luz estelar.

Na barraca de seda, um velho tecelão celestial com olhos como nebulosas ofereceu a Itzel um curioso pedaço de linha. "Isto", ele rangiu, a voz como folhas sussurrantes, "é tecido de luar, mas ouça com atenção: só revela sua verdadeira força quando combinado com o coração de um opala de fogo vulcânico." Ele acrescentou um aviso sério: "Muitos procuraram o opala, mas nenhum teve sucesso." Ixchel ofegou quando Itzel aceitou o fio cintilante, guardando-o cuidadosamente em sua bolsa de tecido.

"Precisamos encontrar esse opala de fogo", Itzel declarou, virando-se para Ixchel. "Se este fio pode consertar a fenda, então devemos. Como disse o filósofo romano Sêneca: 'Todo novo começo vem do fim de algum outro começo'." Ixchel, embora nervosa, assentiu. Um mercador corpulento com escamas como obsidiana os ouviu e riu. "A Opala de Fogo? Tolos! É guardada pela Serpente de Obsidiana. Muitos pereceram tentando roubar a opala, mas eu os ajudarei, apenas se concordarem em me dar metade da recompensa."

O mercador de obsidiana, Grok, os conduziu por um portal que tremeluzia com a distorção do calor. "A Serpente de Obsidiana habita o Labirinto Vulcânico", Grok resmungou, sua voz como pedras rangendo. Ao entrarem, o ar ficou denso com o cheiro de enxofre. Eles caminharam cautelosamente por passagens estreitas de obsidiana afiada enquanto a lava borbulhava sob seus pés. "Precisamos fazer silêncio", Itzel sussurrou. "A Serpente pode ouvir tudo."

Mais fundo no labirinto, eles encontraram uma câmara adornada com glifos antigos. "Estas são proteções antigas", Ixchel sussurrou, traçando um símbolo com o dedo. "Eles dizem que a Serpente não é meramente uma besta, mas um guardião, testando aqueles que buscam o poder da opala." Itzel examinou os glifos mais de perto. "Parece que a Serpente só pode ser derrotada se lhe for mostrado algo verdadeiramente belo de um mundo diferente." Ela rapidamente pegou um punhado de pó brilhante de sua bolsa.

De repente, o chão tremeu, e uma massiva Serpente de Obsidiana deslizou para a vista. Suas escamas cintilavam com calor vulcânico, e seus olhos brilhavam como ouro derretido. "Vocês ousam perturbar meu sono, ladrões?", sibilou a Serpente, sua voz um rugido ensurdecedor. Grok tremeu, escondendo-se atrás de Itzel e Ixchel. "Nós não queremos roubá-lo", Itzel gritou, segurando sua bolsa perto, "nós só desejamos pegá-lo emprestado por uma boa causa, mas você não nos deixa!"

"Uma boa causa?", a Serpente zombou, pairando sobre eles. "O que vocês poderiam oferecer que eu já não tenha visto inúmeras vezes antes?" Itzel olhou para Ixchel, um plano silencioso se formando entre elas. Ixchel respirou fundo e começou a cantarolar uma melodia suave, uma canção de sua dimensão natal. Enquanto a música preenchia a câmara, Itzel pegou o pó brilhante e sussurrou: "Agora!"

Itzel jogou o pó brilhante no ar, e enquanto ele flutuava, a serpente observava maravilhada. O pó cintilava e rodopiava, criando uma visão de seu vibrante mercado, comida flutuante, portais cintilantes e mercadores com trajes bizarros, pintando um retrato da vida interdimensional. "Você me mostrou o que eu estava procurando!", exclamou a Serpente, sua voz suavizando. "Beleza. Eu lhe darei a opala de fogo."

A Serpente tossiu um reluzente Opala de Fogo, pulsando com calor. Grok, com os olhos arregalados de ganância, avançou para a gema. "Metade é minha!", ele rugiu. Mas antes que pudesse pegá-la, Itzel e Ixchel voltaram pelo portal, deixando Grok preso no labirinto. "Nós nunca concordamos sobre onde iríamos te dar a recompensa!", disse Itzel com um sorriso. "Nós vamos usá-la para consertar a fenda!"

De volta ao mercado, Itzel e Ixchel combinaram cuidadosamente o fio do luar com o coração do Opala de Fogo. Uma onda de energia pulsou pelo fio, consertando a fenda dimensional. Itzel virou-se para Ixchel, um sorriso caloroso no rosto. "Nós conseguimos!", exclamou ela. "E aprendemos que a verdadeira beleza nem sempre é óbvia – ela pode ser encontrada nos lugares mais inesperados e, às vezes, exige uma boa equipe para ter sucesso!"