The Asteroid Farmer
Poeira dançava nos feixes dourados de luz que atravessavam as altas janelas do Grande Repositório. O velho Marius ajustou seus óculos, espiando as prateleiras imponentes, cujas superfícies de madeira eram esculpidas com histórias nunca contadas. "Mais um dia, Elara", ele suspirou, sua voz ecoando pelo espaço cavernoso. "Mais uma história esperando para ser redescoberta."
Elara pousou os livros com um baque suave. "Você ouviu aquele sussurro, Marius? Veio da seção Fábulas de Aster." Ela apontou para um canto empoeirado escondido atrás de uma pilha imponente de tomos sobre dragões. "Aquela seção está trancada há séculos. Dizem que as histórias lá dentro são... instáveis." Marius franziu a testa, acariciando a barba. "Instáveis como?"
"A bibliotecária disse que eles continham conhecimento proibido: como semear e nutrir asteroides com vida", Marius explicou. Os olhos de Elara se arregalaram. "Asteroides? Tipo, rochas espaciais? Podemos... devemos abrir?" Marius considerou isso, então citou Leonardo da Vinci: "'Fiquei impressionado com a urgência de fazer. Saber não é suficiente; devemos aplicar.' Acho que Leonardo gostaria que descobríssemos essas histórias, Elara. O conhecimento poderia ajudar muitas pessoas se usado com sabedoria."
Marius tirou do bolso uma chave embaçada, cuja cabeça tinha o formato de uma pequena estrela de sete pontas. Ele a inseriu na fechadura do portão de ferro. "Cuidado, Elara", ele sussurrou enquanto a fechadura se abria com um clique. "Não sabemos o que nos espera lá dentro." Ele empurrou o portão rangente, revelando um corredor mal iluminado, cheio de livros estranhos e pulsantes.
Elara estendeu a mão e tocou cuidadosamente um dos livros; ele parecia estranhamente quente. Uma projeção holográfica surgiu de suas páginas, exibindo um diagrama de uma planta peculiar crescendo em um asteroide rochoso. "É uma Flor Estelar!", exclamou Elara. "Essas flores são incrivelmente resistentes. Elas conseguem sobreviver nas condições mais adversas e, de alguma forma... purificam o solo ao redor delas."
De repente, a projeção piscou violentamente. Uma voz estrondosa ecoou pelo corredor. "Intrusos! O conhecimento do Fazendeiro de Asteroide não é para mãos terrestres!" As prateleiras começaram a tremer e os livros caíram no chão. "Temos que sair daqui!", Marius gritou, agarrando o braço de Elara. Mas antes que pudessem se mover, o portão se fechou com um estrondo, prendendo-os lá dentro.
"Pense, Marius, pense! Tem que haver uma saída!", Elara gritou, a voz tremendo. Marius olhou em volta freneticamente, então seus olhos pousaram no diagrama da Flor Estelar. "Lembra quando você disse que ela purifica o solo? Talvez... talvez ela possa purificar a magia que nos mantém presos!" Ele pegou uma página solta do livro e começou a entoar um feitiço antigo que ele se lembrava da juventude. Ele salpicou pó da página sobre o mecanismo de travamento.
A fechadura estalou e então se dissolveu em pó. O portão se abriu. "Funcionou!", exclamou Elara. Eles saíram da seção Aster Fable e voltaram para o Grande Repositório. De repente, uma figura se materializou diante deles – uma mulher com poeira estelar nos cabelos. "Vocês aprenderam uma lição valiosa hoje", ela disse. "O poder de cultivar é maior do que o poder de destruir." A mulher desapareceu.
"O que foi aquilo?", Elara perguntou, sem fôlego. Marius sorriu. "Talvez a própria Fazendeira de Asteroides. Ela está nos lembrando que mesmo os lugares mais desolados podem florescer com bondade e coragem."
"Então", Elara disse, olhando para Marius, "você acha que um dia poderíamos realmente cultivar plantas em asteroides?" Marius riu, os olhos brilhando. "Elara, como Helen Keller disse, 'Embora o mundo esteja cheio de sofrimento, ele também está cheio da superação dele'. Com coragem e gentileza, até as coisas mais impossíveis podem florescer." Eles se viraram e caminharam mais fundo na biblioteca, prontos para descobrir outra história.