The Enchanted Mirror — Ler em português
Os títulos das histórias ainda aparecem em inglês; o texto de cada história está em português.
Em um reino velado por um crepúsculo perpétuo, erguia-se um castelo de obsidiana e prata. Dentro de suas muralhas vivia a Rainha Mirelle, uma mulher de beleza inigualável, mas amaldiçoada com uma vaidade insaciável. Sua posse mais preciosa era um espelho encantado, forjado por um feiticeiro de imenso poder. Todas as manhãs, a Rainha Mirelle se postava diante dele, com o coração batendo forte de antecipação, e fazia a fatídica pergunta: "Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?" O espelho, preso por magia antiga, era forçado a responder com verdade inabalável, alimentando o frágil ego da Rainha.
Por anos, o espelho proclamou fielmente a Rainha Mirelle como a mais bela. Seu coração inchou de orgulho, solidificando seu reinado e garantindo sua percebida superioridade. No entanto, em uma pitoresca vila aninhada ao pé das Montanhas Sombrias, vivia Elara. Ela era uma donzela de dezesseis anos com cabelos como luar fiado, olhos da cor do céu de verão e um coração cheio de bondade. Sua beleza não era de joias e sedas, mas de riso e graça, e gentil compaixão. Seus dias eram passados cuidando de seu jardim, ajudando os aldeões e irradiando calor e luz para todos que encontrava.
Numa manhã fatídica, a Rainha Mirelle fez sua pergunta ritual. O espelho encantado cintilou, sua superfície ondulando como água. Então, com uma voz que ecoava com um poder imprevisto, declarou: "Bela Rainha, embora sua beleza seja inegável, Elara, na aldeia abaixo das montanhas, possui uma graça que supera todas as outras." O rosto da Rainha contorceu-se em descrença e fúria. Seu reinado, sua identidade, seu próprio valor estavam ameaçados. Ela não conseguia conceber que alguém de meios simples pudesse ofuscar sua magnificência real. O ciúme, uma serpente venenosa, enrolou-se em seu coração, envenenando seus pensamentos.
Consumida pela inveja, a Rainha Mirelle convocou seu caçador de maior confiança, um homem conhecido por sua lealdade inabalável e eficiência impiedosa. Ele era um guerreiro grisalho, endurecido por anos de serviço, seu coração inflexível à compaixão. Com gélida resolução, ela o comandou: "Encontre esta Elara. Leve-a para as profundezas das Montanhas Sombrias e traga-me provas de sua morte." O caçador, preso ao dever, curvou a cabeça em silenciosa aceitação e partiu para o crepúsculo, seu coração pesado com o fardo que estava prestes a carregar. Ele sabia que a ira da Rainha era uma força a ser temida, e a desobediência não era uma opção.
O caçador encontrou Elara em seu jardim, cercada pelas cores vibrantes de suas flores. Ele foi imediatamente cativado por sua beleza inocente e pela bondade radiante que emanava dela. Ele não conseguiu cumprir o cruel decreto da Rainha. Em vez disso, ele revelou o plano traiçoeiro da Rainha, sua voz cheia de remorso. Elara, embora assustada, não desesperou. Seu coração permaneceu puro, seu espírito inquebrável. Ela entendeu o dilema do caçador e ofereceu uma solução que pouparia a vida de ambos. Ela fugiria do reino, e ele retornaria com um sinal para apaziguar a Rainha.
Com o coração pesado, o caçador conseguiu o coração de um animal selvagem como prova da morte de Elara. Ele o apresentou à Rainha que, cega pela própria vaidade, não questionou sua autenticidade. Ela se deleitou com sua suposta vitória, acreditando ter mais uma vez garantido seu lugar como a mais bela. Enquanto isso, Elara se aventurou profundamente na floresta encantada, buscando refúgio da malícia da Rainha. A floresta era um reino de árvores antigas e caminhos escondidos, um lugar onde a magia prosperava e segredos sussurravam ao vento. Ela sabia que perigos espreitavam, mas seu espírito não vacilou.
Perdida e sozinha nas profundezas da floresta encantada, Elara tropeçou em uma cabana escondida. Era uma morada pequena e despretensiosa, mas o calor irradiava de suas janelas. Ela se aproximou cautelosamente e bateu na porta de madeira. Ela se abriu com um rangido, revelando sete figuras diminutas com olhos cintilantes e barbas que chegavam aos joelhos. Eram anões, guardiões da floresta e mestres do conhecimento antigo. Eles acolheram Elara em sua casa, oferecendo-lhe comida, abrigo e proteção da ira da Rainha. Eles foram imediatamente encantados por sua bondade e graça, prometendo protegê-la.
O tempo passou, e Elara encontrou consolo e felicidade entre os anões. Ela ajudava nas tarefas deles, cuidava do jardim e enchia a casa deles com risadas e luz. No entanto, o espelho encantado continuava a revelar a verdade. A Rainha Mirelle, consumida por sua vaidade inflexível, consultou o espelho mais uma vez. Para seu completo horror, ele proclamou que Elara não estava apenas viva, mas havia se tornado ainda mais radiante em sua bondade e pureza. A fúria da Rainha não conheceu limites, e ela jurou destruir Elara pessoalmente, empregando magia negra se necessário.
Disfarçada como uma velha vendedora ambulante, a Rainha Mirelle aventurou-se na floresta encantada. Ela carregava consigo uma maçã envenenada, cuja casca cintilava com um sedutor tom carmesim. Ela procurou a cabana dos anões e ofereceu a maçã a Elara, alegando ser um presente de amizade. Elara, sem suspeitar da traição da Rainha, aceitou a maçã. Com uma mordida, ela caiu em um sono profundo, semelhante à morte. Os anões voltaram e encontraram Elara sem vida, seus corações cheios de tristeza. Eles a colocaram em um caixão de cristal, esperando por um milagre.
Um príncipe, valente e verdadeiro, atravessou a floresta encantada. Ele foi cativado pela beleza de Elara, mesmo em seu sono. Comovido com sua situação, ele se ajoelhou ao lado do caixão e a beijou gentilmente. O poder do amor verdadeiro quebrou o feitiço maligno da Rainha. Elara acordou, seus olhos cheios de admiração. O disfarce da Rainha se desfez, revelando sua verdadeira forma. Enfurecida, sua própria magia negra saiu pela culatra, fazendo a Rainha desaparecer, seu reinado de vaidade para sempre encerrado. Elara e o Príncipe retornaram ao seu reino, onde sua bondade e graça trouxeram luz a todos. Eles governaram com compaixão e sabedoria, criando um reino onde a verdadeira beleza era valorizada acima de tudo.