The Last Summer — Ler em português
Os títulos das histórias ainda aparecem em inglês; o texto de cada história está em português.
Anya ofegou, agarrando sua surrada sacola com mais força enquanto o vento açoitava. Garrafas de luz do sol brilhavam em uma barraca próxima, enquanto vendedores apregoavam chuva engarrafada e brisas suaves. "O Mercado do Céu é magnífico, não é?", trovejou uma voz ao lado dela.
"Magnífico... e esmagador", Anya murmurou, tentando navegar pelas barracas lotadas. Seu irmão mais velho, Caspian, riu, ajustando seus óculos de proteção. "Não se preocupe, pequena estorninha. Vamos encontrar o velho Silas, pegar o atlas das nuvens e estaremos de volta antes do pôr do sol."
Anya hesitou. "Silas é... Silas. Ouvi dizer que ele quer algo em troca. Um último favor..." Caspian apertou o ombro dela. "Não se preocupe. Nós vamos conseguir aquele atlas." "Como Eleanor Roosevelt disse uma vez, sabe, 'o futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos'", Caspian tranquilizou.
O velho encadernador, Silas, olhou para eles por trás de uma montanha de tomos empoeirados. "Caspian, meu rapaz! E a pequena Anya, vieram para trocar, não é? Posso me desfazer do atlas, mas, como sabem, tudo tem um preço. Meu preço? Uma única memória."
"Uma memória?", Anya exclamou, dando um passo para trás. "Isso é insano!" Silas riu, um som seco e áspero. "De fato. Uma memória do último verão. Aquele em que o céu começou a desbotar... Eu preciso dela para uma receita especial de tempestade engarrafada para o Grande Festival! E então, temos um acordo ou não?"
"Nós... nós precisamos do atlas, Silas! Meu pai trabalhou nele por anos!" Caspian implorou, a voz tensa de desespero. "Além disso, estou trabalhando em uma receita de clima própria. Eu poderia te ajudar. Uma memória é um preço muito alto por páginas manchadas de tinta", Silas sorriu. "Então, suponho que você vai zarpar sem ele, como seu pai fez, Caspian, meu velho?"
Anya mordeu o lábio, olhando de Caspian para Silas. "Espere... Eu farei isso. Eu darei a você minha memória." Caspian se virou, o horror estampado em seu rosto. "Anya, NÃO! Você não se lembra do que os coletores de memória fizeram com o Velho Fitzwilliam? Ele não tem mais nada agora!"
Silas gargalhou, esfregando as mãos. "Excelente! Uma memória jovem e vibrante... exatamente o que eu preciso!" Anya fechou os olhos, preparando-se. "Faça isso então, Silas. Pegue a memória do tempo", ela sussurrou, contendo as lágrimas.
De repente, Caspian empurrou Silas para o lado, pegando uma pequena e discreta garrafa de vidro de uma prateleira escondida. "Não se trata mais só do atlas, não é? Você não está fazendo tempestades engarrafadas para um festival, está Silas?" Caspian espatifou o frasco no chão. Imediatamente as luzes piscaram e o céu se iluminou. "Eu sabia que você roubou a receita de sonhos engarrafados do meu pai! Eu nunca serei tão criativo quanto ele!"
"O atlas fica conosco, Silas! E aquelas anotações do papai sobre o verão – elas ficam onde devem, em nossas cabeças, guiando nosso futuro!" Anya pegou a mão de Caspian. "Papai teria querido que continuássemos sonhando. Ele costumava dizer o que Maya Angelou disse, Caspian: 'Se você não gosta de algo, mude-o. Se não puder mudá-lo, mude sua atitude.' E nós acabamos de fazer as duas coisas."