The Little Samurai — Ler em português
Os títulos das histórias ainda aparecem em inglês; o texto de cada história está em português.
Kenji, um menino espirituoso de dez anos, vivia em um vilarejo aninhado ao lado do Monte Fuji. Ele não sonhava em cultivar a terra como seu pai, mas sim com os samurais cuja bravura ecoava pela história. Em uma manhã fresca de outono, Kenji praticava suas formas com a espada de madeira com sua melhor amiga, Hana. "Algum dia, serei o samurai mais bravo!", Kenji declarou, brandindo sua espada com um floreio. Hana, sempre prática, riu, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. "Bravura é mais do que espadas, Kenji. Está também no seu coração." Uma rajada de vento varreu as folhas caídas ao redor deles.
Mas o samurai mais corajoso era seu falecido avô. "O vovô sempre dizia que a história guarda as maiores lições", Kenji lembrou em voz alta. "O que você quer dizer?", Hana perguntou. Naquela tarde, enquanto explorava o sótão da antiga casa de sua família, Kenji tropeçou em uma caixa de madeira empoeirada. Dentro, aninhada em seda desbotada, jazia uma katana lindamente trabalhada, menor do que uma espada comum. Uma nota estava amarrada ao seu punho com um cordão vermelho desbotado. Kenji ofegou, pegando cuidadosamente a espada. "É... a espada de treinamento do vovô!", ele exclamou. "Mas o que diz a nota?" Hana espiou por cima do ombro dele, com os olhos arregalados de curiosidade.
O bilhete dizia: "A verdadeira bravura não reside na luta, mas na compreensão do passado." Uma localização também estava escrita, mal visível. "'Um templo perdido', diz aqui!", exclamou Kenji. Dizia-se que este templo guardava pergaminhos antigos que ensinavam os verdadeiros valores samurais. "Temos que ir!", declarou Kenji, com os olhos brilhando de determinação. Hana, embora hesitante, assentiu. "Mas é perigoso! O templo está escondido nas profundezas da Floresta de Bambu!", exclamou ela. "Portanto", disse Kenji, segurando a espada, "precisamos aprender o que o Vovô quer nos ensinar. Partimos ao amanhecer." Ele resolveu seguir os passos de seu avô.
Ao amanhecer, armados com a espada do avô de Kenji e os bolinhos de arroz cuidadosamente embalados por Hana, eles entraram na Floresta de Bambu. Os imponentes caules de bambu balançavam com a brisa. "Este lugar é assustador", Hana sussurrou, agarrando sua mochila. De repente, uma voz áspera chamou: "Quem vai lá?" Uma velha enrugada com um rosto gentil emergiu de trás de um emaranhado de bambu. "Meu nome é Aiko", ela disse, apoiando-se em uma bengala retorcida. "Eu sou a guardiã desta floresta. O que vocês dois estão fazendo aqui?" Kenji deu um passo à frente. "Nós procuramos o templo perdido, Aiko-san! Queremos entender os antigos valores samurais", ele respondeu, com bravura.
Aiko sorriu, sabendo. "O templo está bem escondido. O caminho é traiçoeiro." Ela então lhes contou um segredo. "A Floresta de Bambu muda. Para encontrar o verdadeiro caminho, ouça o vento. Ele sussurra segredos para aqueles que escutam." Aiko apontou para um bosque escondido. "Mas cuidado! Os espíritos da floresta podem ser travessos. Sigam o riacho e ofereçam-lhes respeito!" Enquanto agradeciam a Aiko, Hana notou algo peculiar. Esculpido no cajado de Aiko estava o mesmo símbolo que no punho da espada. "O que significa esse símbolo, Aiko-san?" Ela perguntou curiosamente.
"Aquele símbolo... é um lembrete de dever, mas também de paz. Os samurais lutavam, sim, mas também cultivavam jardins, escreviam poesia e valorizavam a harmonia", Aiko disse pensativamente. Kenji e Hana agradeceram a Aiko e seguiram o riacho até um bosque salpicado de sol. De repente, o riacho desapareceu! Um barranco profundo bloqueava o caminho deles. "E agora, o que fazemos?", Hana gritou, com a voz cheia de preocupação. Antes que Kenji pudesse responder, um enxame de espíritos travessos da floresta — figuras minúsculas e brilhantes — apareceu, rindo. Eles começaram a puxar a espada de Kenji e a mochila de Hana. A tarefa deles era um desafio: atravessar o abismo.
Kenji lembrou-se das palavras de Aiko: Respeite os espíritos. Ele fez uma reverência profunda. "Honrados espíritos, buscamos apenas aprender. Oferecemos a vocês estas bolas de arroz como um presente." Ele colocou as bolas de arroz em uma pedra lisa. Os espíritos, momentaneamente distraídos, pararam de puxar. Hana rapidamente desamarrou sua faixa. "Se amarrarmos estas faixas juntas, podemos fazer uma corda!", ela exclamou. Kenji assentiu. Trabalhando juntos, eles criaram uma corda improvisada longa o suficiente para alcançar uma raiz de árvore resistente do outro lado do desfiladeiro. Bravura nem sempre é força bruta. Kenji aprendeu bem esta lição.
Com a corda presa, Kenji atravessou cuidadosamente o desfiladeiro, testando cada passo. Na metade do caminho, a raiz da árvore começou a rachar! Os espíritos, subitamente conscientes, começaram a rir novamente, balançando a corda. Hana gritou: "Kenji, aguenta!" Convocando toda a sua força, Kenji saltou, agarrando-se a um grupo de caules de bambu do outro lado. Ele caiu na terra macia, são e salvo. Ele olhou para Hana, seu coração batendo forte. "Nunca desista, Hana! Bravura é encontrar um caminho a seguir, não importa as probabilidades!" Kenji gritou com todo o seu coração e alma.
Hana, aliviada, seguiu rapidamente, usando a corda como apoio. Ao alcançar Kenji, ela o abraçou apertado. "Você foi tão corajoso!", ela sussurrou. Juntos, eles encontraram o templo escondido. Lá dentro, pergaminhos antigos cobriam as paredes. Eles passaram horas lendo, aprendendo sobre a dedicação dos samurais à justiça, compaixão e autoaperfeiçoamento. Eles aprenderam que a bravura não era apenas sobre espadas ou lutas, mas sobre viver com honra e bondade, assim como o símbolo de Aiko significava. Eles sorriram e se entreolharam, seus corações cheios de um conhecimento recém-descoberto.
Ao retornar para sua aldeia, Kenji não sonhava mais em ser um guerreiro. Ele ajudava seu pai nos campos, mas também praticava caligrafia e tratava a todos com respeito. Ele aprendeu que a verdadeira bravura podia ser encontrada em atos diários de bondade. Um dia, ele estava ajudando uma velha a carregar uma cesta de vegetais, exatamente como seu avô teria feito. Kenji sorriu, lembrando-se das palavras de Aiko. Ele olhou para a espada de treinamento pendurada na parede de sua casa. "Eu entendo agora", ele pensou. Bravura é sobre ser uma boa pessoa. Hana e Kenji continuaram sua amizade por anos.