The Magic Paintbrush — Ler em português
Os títulos das histórias ainda aparecem em inglês; o texto de cada história está em português.

Em uma pequena aldeia aninhada entre colinas ondulantes vivia um jovem garoto chamado Shen. Ele era conhecido por sua bondade, mas sua família era desesperadamente pobre. Shen ansiava por ajudá-los, mas não tinha habilidades ou posses a oferecer. Ele passava seus dias vagando pelo campo, muitas vezes desenhando na terra com um graveto, sonhando com uma vida melhor. Um dia, enquanto descansava sob um antigo salgueiro, sentiu uma estranha energia formigar em sua mão. Olhando para baixo, viu um simples pincel deitado ao lado dele, seu cabo de madeira liso e quente ao toque. Parecia comum, mas Shen sentiu uma magia inegável dentro dele.

Intrigado, Shen pegou o pincel. Ao fazê-lo, uma voz ecoou em sua mente: "Este pincel pode pintar qualquer coisa que você desejar, mas use-o com sabedoria." Assustado, ele olhou em volta, mas estava sozinho. Ele decidiu testar o poder do pincel. Fechando os olhos, ele imaginou uma maçã gorda e suculenta. Ele tocou o pincel em uma rocha próxima e, quando abriu os olhos, uma maçã perfeita estava diante dele. Radiante, Shen correu para casa, ansioso para compartilhar sua descoberta com sua família. Ele sabia que aquele pincel mágico poderia mudar suas vidas, mas o aviso ecoante permanecia em seus pensamentos.

Shen pintou uma cesta cheia de arroz para sua família, acabando com a fome deles. Então, ele pintou roupas novas para sua mãe e seu pai, substituindo as vestes gastas e esfarrapadas por outras resistentes e confortáveis. A notícia sobre o pincel mágico de Shen se espalhou rapidamente pela aldeia. As pessoas se maravilhavam com suas criações e, logo, a aldeia estava florescendo. Shen pintou ferramentas novas para os fazendeiros, barcos mais fortes para os pescadores e cobertores quentes para os idosos. Ele usou o pincel para ajudar a todos que precisavam, nunca pedindo nada em troca. Ele se deleitava com a alegria de dar.

No entanto, a notícia da magia de Shen chegou aos ouvidos do Imperador, um homem ganancioso e cruel que desejava todas as coisas de poder. Ele convocou Shen ao seu palácio, exigindo que o menino usasse o pincel para criar riquezas infinitas para ele. Shen, com medo do poder do Imperador, concordou relutantemente. O Imperador ordenou que Shen pintasse ouro, joias e montanhas de tesouros. Enquanto Shen pintava, sentiu um crescente desconforto. O palácio ficou repleto de opulência, mas a ganância do Imperador apenas se intensificou, seus olhos ardendo em avareza.

O Imperador, nunca satisfeito, exigiu que Shen pintasse para ele um dragão dourado, um símbolo de poder supremo. Shen hesitou. Ele sabia que criar uma imagem tão poderosa para o Imperador apenas alimentaria sua ambição e levaria a mais sofrimento para o povo. Mas o Imperador ameaçou Shen e sua família. Com o coração pesado, Shen começou a pintar. Ele pintou as escamas do dragão com detalhes meticulosos, suas garras afiadas e ameaçadoras, seus olhos queimando com intensidade ardente. Ao terminar, o dragão saltou da página, uma criatura magnífica, mas aterrorizante.

O dragão voou pelos corredores do palácio, cuspindo fogo e destruindo tudo em seu caminho. O Imperador, encantado a princípio, rapidamente percebeu que não conseguia controlar a criatura. O dragão era um símbolo de poder indomável e não obedecia a ninguém. O caos irrompeu no palácio enquanto o dragão causava estragos, seus rugidos ecoando pelos corredores. O Imperador, agora aterrorizado, gritou para Shen parar o dragão, mas Shen sabia que era tarde demais. Ele havia libertado algo que não conseguia conter. A ganância do Imperador havia saído pela culatra espetacularmente.

Percebendo o perigo que havia desencadeado, Shen pegou seu pincel e, com uma onda de determinação, pintou uma tempestade poderosa. A tempestade rugiu pelo palácio, extinguindo o fogo do dragão e acalmando sua fúria. A chuva caía, lavando o ouro e as joias, revelando o verdadeiro estado do palácio – uma casca oca de ganância e ambição. O dragão, enfraquecido pela tempestade, encolheu-se de volta para a pintura, seu poder diminuído. O Imperador, encharcado e humilhado, observou incrédulo enquanto seus tesouros desapareciam.

O Imperador, despojado de suas riquezas e humilhado pela experiência, finalmente compreendeu o erro de seus caminhos. Ele se ajoelhou diante de Shen, implorando por perdão e prometendo governar com justiça e compaixão. Shen, vendo o remorso genuíno nos olhos do Imperador, o perdoou. Ele então usou o pincel para restaurar o palácio à sua antiga beleza, mas sem a opulência excessiva. Ele pintou campos de grãos, jardins exuberantes e fontes de água limpa para o povo, garantindo sua prosperidade e bem-estar.

Com o Imperador reformado e o reino restaurado, Shen sabia que sua tarefa estava completa. Ele decidiu devolver o pincel mágico ao seu devido lugar, debaixo do salgueiro. Ele viajou de volta à sua aldeia, onde foi recebido como um herói. Ele ensinou os aldeões a usar suas habilidades e recursos com sabedoria, promovendo um espírito de cooperação e generosidade. Ele entendeu que a verdadeira riqueza não estava em ouro e joias, mas no bem-estar da comunidade. Ele passou seus dias ajudando os outros, contente com a vida simples que sempre conhecera.

Ao chegar ao salgueiro, Shen colocou o pincel de volta onde o havia encontrado. Enquanto fazia isso, a voz ecoou em sua mente mais uma vez: "Você usou o pincel com sabedoria, e sua magia permanecerá em seu coração." Shen sorriu, sabendo que a verdadeira magia não estava no objeto em si, mas na bondade e compaixão que ele havia demonstrado. Ele voltou para sua família, contente em viver uma vida simples, para sempre guiado pelas lições que havia aprendido. O pincel mágico permaneceu sob o salgueiro, esperando por outra alma digna, seu poder um lembrete da importância da sabedoria e da generosidade.