The Shy Little Deer
"Olha!", guinchou Pip, apontando um dedo magricela. Abaixo, casas aninhavam-se em dobras de pele cinzenta, fumaça saindo de chaminés que pontilhavam a paisagem. Anya, empoleirada precariamente em um cílio gigante, ofegou. "Eu te disse que esta aldeia foi construída sobre um gigante adormecido, Pip. Não acreditou em mim, não é?"
"Cuidado, Anya!", Pip gritou, puxando a túnica dela. "E se ele acordar?" Anya riu, pulando na bochecha musgosa do gigante. "Ele não vai. Além disso, olha o que eu achei!" Ela ergueu uma minúscula flauta de madeira, intrincadamente esculpida, não maior que o polegar dela.
"Então, você está dizendo que essa flautinha controla... ENGASGO... o GIGANTE?" Pip gaguejou, com os olhos arregalados. Anya assentiu, guardando a flauta no bolso. "Vamos encontrar o cervo tímido, Pip, o Velho Fitzwilliam diz que o cervo só sai à noite. Precisamos chegar à Floresta Sussurrante antes do anoitecer." Pip engasgou novamente, antes de se lembrar de algo importante.
Os Bosques Sussurrantes faziam jus ao nome. Cada folha sussurrava segredos, cada galho rangia histórias. "Você ouviu isso?", Anya sussurrou, agarrando o braço de Pip. "Parecia... choro." A voz do Velho Fitzwilliam ecoou atrás deles. "Procurando o cervo tímido, é?", ele perguntou com um sorriso caloroso.
"Sim, senhor!" Anya respondeu. "Ouvimos dizer que é a criatura mais bonita, mas tão tímida que se esconde de todos." O Velho Fitzwilliam acariciou a barba. "De fato. Mas você sabia que os chifres de veado não são osso? Eles são, na verdade, feitos de cartilagem, assim como o seu nariz!" Ele apontou para um conjunto de pegadas de veado na terra macia. "Sigam estas. Mas estejam avisados, o caminho à frente é traiçoeiro."
O caminho os levou a um desfiladeiro escuro. Uma ponte de corda bamba balançava precariamente sobre o abismo. "Temos que atravessar ISSO?", Pip guinchou, apontando. Mas, ao se aproximarem, a ponte começou a desabar! "Rápido, Anya!", Pip gritou enquanto uma seção da corda se rompia, enviando tábuas de madeira para o abismo.
Anya agarrou a mão de Pip, os olhos dela disparando freneticamente. "Pensa, Pip, pensa! Precisamos de algo para prender a ponte", ela exclamou. De repente, Pip se lembrou das videiras. "Eu vi umas videiras fortes um pouco atrás. Se pudermos usar aquelas, podemos consertar!", Pip sugeriu, e Anya assentiu em concordância.
Eles trabalharam juntos, entrelaçando as vinhas grossas em um suporte improvisado para a ponte em ruínas. Finalmente, estava firme o suficiente para atravessar. Ao chegarem ao outro lado, viram o tímido cervo. Ele estava preso em um emaranhado de espinhos, com a perna sangrando. "Lembre-se da flauta, Anya!", Pip gritou. Anya a tirou e começou a tocar uma melodia suave e melódica. Funcionou como um encanto. Os espinhos recuaram e o cervo mancava livre. "A bondade é sua própria recompensa", Anya sussurrou.
O cervo roçou a mão de Anya, depois saltou para a floresta. "Está seguro agora", Anya suspirou, sorrindo para Pip. "Nós conseguimos!", exclamou Pip. "E usamos aquela flauta encantada!" Enquanto eles começavam a voltar para a aldeia, o Velho Fitzwilliam estava lá esperando por eles. "Muito bem, meus bravos filhos. Vocês demonstraram grande bondade e coragem."
De volta ao gigante adormecido, com as luzes da aldeia cintilando lá embaixo, Anya sorriu. "Eu estava com tanto medo do desfiladeiro", ela admitiu, encostando-se em Pip. "Mas nós conseguimos juntas." Pip sorriu. "E agora, você não é tão tímida quanto aquele cervo, é? Você foi tão corajosa e falou com o cervo e ele ouviu!" Anya riu. "Aventuras são melhores com amigos. Acho que é verdade o que minha mãe sempre disse. Que você nunca está sozinha quando tem amigos e tem bondade, e isso por si só te torna rica."