O menor jogador da equipe

"Rápido, Milo!", Pip guinchou, sua voz minúscula mal audível acima da multidão que torcia. Milo, apesar de sua pequena estatura, agarrava o couro gasto de sua bola de futebol americano, seu coração batendo forte contra as costelas. Os Esquilos de Oakwood estavam perdendo por um ponto, e restavam apenas segundos no jogo do campeonato. Era a vez de Milo brilhar, ou assim todos esperavam.

O Treinador Hoot, uma coruja velha e sábia, bagunçou o pelo de Milo. "Lembre-se do que praticamos, filho. Mire no galho mais alto do velho carvalho. É a nossa única chance." Pip, o melhor amigo de Milo, puxou sua camisa, com os bigodes tremendo nervosamente. "Mas Milo", ele gaguejou, "você mal alcança meus joelhos!" Escondida no fundo do bolso da camisa de Milo, ele sentiu a bolota lisa e redonda que sempre carregava para dar sorte.

Milo hesitou. "Eu não sei, Pip. Eu sou... tão pequeno." Pip balançou a cabeça. "Não dê ouvidos a essas preocupações, Milo!" Ele se lembrou de algo que seu avô sempre dizia. "'A jornada de mil milhas começa com um único passo', como nos ensinou o grande filósofo Lao Tzu. Você consegue, um galho de cada vez!" Milo respirou fundo, apertando a bolota com mais força. Ele tinha uma equipe para acreditar e um campeonato para vencer.

O apito soou, seu som estridente cortando o ar. Milo disparou para o campo, desviando de jogadores maiores com agilidade surpreendente. Ele se esquivou de uma tentativa desajeitada de um texugo de bloqueá-lo, então saltou sobre um ouriço assustado. "Passa para o Milo!", Pip gritou da lateral. Era mais fácil falar do que fazer.

De repente, um corpulento linebacker urso entrou em seu caminho. Era Boris, o maior e mais malvado jogador da liga. Boris zombou, seus dentes brilhando ameaçadoramente. "Não tem para onde ir, nanico!" Milo avistou um túnel minúsculo, quase invisível, sob os pés enormes de Boris – um buraco de tuco-tuco, mal grande o suficiente para ele se espremer. Ele conseguiria?

Milo lembrou-se de algo que tinha ouvido os gophers discutirem: eles mantinham as entradas dos túneis pequenas para impedir a entrada de animais maiores. Ele arriscou. Com uma explosão de velocidade, ele se encolheu em uma bolinha e mergulhou de cabeça no buraco. Boris rugiu de frustração enquanto Milo desaparecia debaixo dele. Mas agora ele estava na escuridão completa.

Pip pulava freneticamente na beira do campo. "Milo! Milo, você está bem?" Uma voz abafada ecoou lá de baixo. "Estou bem, Pip! Mas está tudo escuro aqui embaixo!" Coach Hoot gritou: "Use sua bolota, Milo! Lembre-se, bolotas às vezes podem brilhar fracamente no escuro!"

Milo tirou sua bolota da sorte. Ele a esfregou com a pata e, para sua surpresa, ela começou a brilhar com uma luz fraca e etérea! Ele conseguia ver! Ele correu pelo túnel, seguindo seu caminho sinuoso. Ele saiu do outro lado, bem atrás da trave do time adversário! "Touchdown!", Milo gritou. "Nós vencemos!"

A multidão rugiu. Pip pulou nos braços de Milo. "Você conseguiu, Milo! Você realmente conseguiu!" Até Boris, o urso, se aproximou pesadamente, com uma expressão envergonhada no rosto. "Acho que te subestimei, garotinho. Bom jogo."

Enquanto o sol se punha, projetando longas sombras pelo campo, Milo e Pip voltavam para casa juntos. "Sabe, Milo", disse Pip pensativamente, "não importa o quão pequeno você seja. O que importa é o tamanho do seu coração." Milo sorriu, apertando sua bolota da sorte. "Você está certo, Pip. E às vezes, o menor jogador pode fazer a maior diferença."