The Punic Wars — Rome & Carthage (202 BC, Rome & Carthage)

Dezenove de outubro de duzentos e dois antes de Cristo, perto de Zama, no Norte da África: Aníbal Barca, o general cartaginês que cruzou os Alpes, enfrentou Cipião Africano, o comandante romano que ousou invadir terras cartaginesas. Catão, o Velho, um austero senador romano, observava com sombria satisfação, já prevendo a ruína de Cartago. As Guerras Púnicas — uma luta de um século por domínio — haviam chegado ao seu sangrento clímax, decidindo o destino de duas grandes civilizações. Mas onde esse conflito começou?

Séculos antes, em oitocentos e quatorze a.C., a princesa fenícia Dido, fugindo da tirania, chegou às margens do Norte da África. Ela negociou astutamente com as tribos locais, obtendo terra suficiente, como diz a lenda, "para ser abrangida por um couro de boi". Dido cortou habilmente o couro em tiras finas, formando um limite que cercava a terra que se tornaria Cartago. "De pequenos começos vêm grandes coisas, não é assim que se diz?", exclamou Dido, inspecionando sua terra recém-reivindicada.

Enquanto isso, do outro lado do mar, Roma estava em constante expansão. Sua república, impulsionada pela ambição e pela destreza militar, via Cartago como rival e alvo. "Eles controlam os mares, o comércio", resmungou Régulo, um cônsul romano, no Senado, "Se quisermos nos tornar um verdadeiro império, Cartago deve cair!". Suas palavras ecoaram pela câmara, plantando uma semente de conflito.

Em duzentos e sessenta e quatro antes de Cristo, a Primeira Guerra Púnica eclodiu quando Roma interveio em uma disputa na Sicília, uma ilha estratégica cobiçada por ambas as potências. Legiões romanas desembarcaram na ilha, entrando em confronto com as forças cartaginesas. "Por Roma!", gritou um Centurião enquanto sacava seu gládio, avançando para a batalha.

Décadas depois, Aníbal Barca, um brilhante general cartaginês, procurou atacar o coração de Roma. Em duzentos e dezoito antes de Cristo, ele liderou seu exército, incluindo elefantes de guerra, através dos traiçoeiros Alpes. A neve caía pesadamente enquanto suas tropas lutavam para atravessar os desfiladeiros da montanha. Aníbal virou-se para suas tropas com um rosto resoluto e disse: "Descobri que quanto mais trabalho, mais sorte pareço ter", disse Thomas Jefferson, e então vamos trabalhar.

Em duzentos e dezesseis antes de Cristo, em Canas, Aníbal impôs uma derrota devastadora ao exército romano. Ele cercou os romanos com maestria, aniquilando suas forças. Mais de cinquenta mil soldados romanos pereceram em um único dia. O rio correu vermelho de sangue, um testemunho do gênio tático de Aníbal.

Cipião Africano, um jovem e ambicioso general romano, reconheceu que a chave para derrotar Aníbal era atacar a própria Cartago. Ele convenceu o Senado a autorizar uma invasão do Norte da África. "Devemos levar a guerra à porta deles", declarou.

Em Zama, Cipião enfrentou Aníbal em uma batalha decisiva. As legiões romanas, reformadas e revitalizadas, chocaram-se com os veteranos cansados de Aníbal. Cipião empregou sua cavalaria, liderada pelo príncipe númida Massinissa, com grande eficácia. Massinissa gritou em sua língua nativa enquanto liderava seus guerreiros númidas. "Avancem, por Roma, pela Numídia!"

Mesmo depois de Zama, Catão, o Velho, permaneceu fixado na destruição de Cartago. Ele terminava cada discurso no Senado com as mesmas palavras arrepiantes: "Carthago delenda est!" — "Cartago deve ser destruída!". Seus olhos estavam escuros de ódio e da obsessão de um objetivo único de um homem velho.

Em cento e quarenta e seis antes de Cristo, Roma finalmente conquistou e destruiu Cartago, encerrando as Guerras Púnicas. Eles arrasaram a cidade até o chão, semeando sal na terra. No entanto, das cinzas, Roma emergiu como a potência dominante no Mediterrâneo, lançando as bases para seu vasto império. Novos assentamentos surgiriam mais tarde no terreno do antigo. Roma havia aprendido com sua rival e acabaria por superá-la em todos os sentidos.