The Trial of Galileo Galilei (1633, France)

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Doze de abril de mil seiscentos e trinta e três. O cardeal Francesco Barberini encarou Galileu Galilei, o cientista idoso ajoelhado diante do Santo Ofício em Roma. A câmara estava cheia de sussurros abafados e o cheiro de incenso. Galileu, com o rosto marcado pela exaustão, sabia que as apostas eram incrivelmente altas: sua vida, seu trabalho e sua alma imortal estavam em jogo. Mas onde esse confronto devastador realmente começou?

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Anos antes, Galileu Galilei, professor de matemática na Universidade de Pádua, espiou através de seu telescópio recém-construído em seu observatório no topo da montanha na cidade portuária, onde navios navegavam em rios de luz estelar. Ele chamou seu aluno, Benedetto Castelli: "Olhe, Benedetto! As Estrelas Mediceias giram em torno de Júpiter! Isso desafia o antigo sistema ptolomaico!" Castelli, de olhos arregalados, ofegou ao olhar por si mesmo, sua mente correndo para as implicações.

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A notícia das descobertas de Galileu chegou ao Cardeal Roberto Belarmino em Roma. "Galileu deve ser avisado", declarou ele aos seus conselheiros. Belarmino convocou Galileu a Roma, aconselhando-o a abandonar suas visões copernicanas, de que a Terra girava em torno do Sol. "A Igreja não pode aceitar interpretações das escrituras que contradigam a doutrina estabelecida", afirmou o Cardeal Belarmino com firmeza. Galileu, embora respeitoso, sabia que não podia negar o que havia visto com seus próprios olhos.

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Galileu continuou sua pesquisa e publicou "Diálogo Sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo" em mil seiscentos e trinta e dois. René Descartes, o filósofo francês, escreveu: "A obra de Galileu desafia tudo o que pensávamos saber sobre o universo." Mas Descartes também era cauteloso. "Eu não gostaria de publicar nada que pudesse incorrer em desaprovação semelhante." A notícia chegou ao Papa Urbano Oitavo, inicialmente um amigo de Galileu, mas ele ficou enfurecido com o que viu como uma zombaria de seus próprios argumentos no livro.

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Impulsionado pelo Cardeal Gasparro Borgia, um defensor ferrenho da doutrina da Igreja, o Papa Urbano Oitavo convocou uma comissão especial para examinar o trabalho de Galileu. O Cardeal Borgia sussurrou ao Papa: "Este livro mina os alicerces da nossa fé! Galileu deve ser silenciado!" Urbano, com o rosto vermelho de raiva, bateu o punho na mesa: "Convoquem-no! Ele responderá por sua heresia!"

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Em mil seiscentos e trinta e três, Galileu, já um homem velho, ajoelhou-se diante da Inquisição. O Cardeal Barberini o pressionou: "Você se retrata de suas visões heréticas, Galileo Galilei?" Galileu, com a voz trêmula, respondeu: "Eu... eu devo ter cometido erros. Denunciarei minhas crenças se isso agradar à Santa Igreja." Seu aluno Benedetto Castelli, observando de longe, sentiu uma pontada de culpa e desespero.

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Galileu, sob imensa pressão, renunciou publicamente à sua crença de que a Terra girava em torno do Sol. No entanto, ao se levantar, a lenda diz que Galileu murmurou baixinho: "E pur si muove" – "E, no entanto, ela se move". Ele foi colocado em prisão domiciliar pelo resto de seus dias. Seu amigo, Johannes Kepler, outro cientista, ficou de coração partido, notando a imensa pressão que a igreja havia exercido, mas também disse: "Como disse Aristóteles: 'É a marca de uma mente educada ser capaz de entreter um pensamento sem aceitá-lo'".

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Confinado à sua vila em Arcetri, Galileu continuou suas pesquisas, embora em segredo. Ele sabia que o poder da observação e da verdade acabaria por prevalecer, que seu trabalho era para toda a humanidade. "Não há mal a ser enfrentado que Cristo não compartilhe conosco. Se você está na escuridão, então Ele também está lá", disse Galileu suavemente, continuando seus cálculos.

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Galileu Galilei morreu em mil seiscentos e quarenta e dois, ainda em prisão domiciliar. Suas ideias, no entanto, se espalharam pela Europa, influenciando futuras gerações de cientistas. As leis de movimento planetário de Johannes Kepler ajudaram a provar ainda mais as declarações iniciais de Galileu e o apoiaram mesmo depois de ele ter sido envergonhado. Seu trabalho foi traduzido e estudado em universidades por todo o continente.

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Em mil novecentos e noventa e dois, mais de trezentos e cinquenta anos depois, o Papa João Paulo Segundo pediu desculpas formalmente pelo tratamento da Igreja Católica a Galileu. Ele reconheceu que as observações de Galileu estavam corretas e que a Igreja havia errado ao condená-lo. A busca pela verdade científica, declarou o Papa João Paulo Segundo, não precisa estar em conflito com a fé. O legado de Galileu, no entanto, permanece uma vitória para o espírito científico.