Little Thumb
Numa cidade movida a engrenagens e alimentada por música e risos, vivia um lenhador chamado Elmsworth e sua esposa, sobrecarregados por sete filhos, o menor dos quais se chamava Pequeno Polegar. Elmsworth labutava para manter as engrenagens da cidade girando, mas um inverno cruel ameaçava silenciar o riso e apagar a luz. Sussurros de uma floresta onde crianças perdidas vagam e ouro cresce em árvores enchiam o ar, prometendo salvação e perdição.
"Não podemos alimentá-los, Elsie. Não mais", Elmsworth confessou, a voz embargada. Elsie torceu as mãos. "Deve haver outro jeito." Pequeno Polegar, ouvindo as palavras sussurradas, apertou a flauta com mais força, o coração batendo como as engrenagens frenéticas da cidade.
"Amanhã", disse Elmsworth, a voz mal um sussurro, "nós os levaremos à floresta para recolher lenha. E... não os traremos de volta." Elsie ofegou, apertando o peito. Pequeno Polegar, embora aterrorizado, lembrou-se de algo que lera em um almanaque descartado: "Uma trilha de seixos brancos pode guiar os perdidos para casa." Ele prometeu encontrar pedras antes do amanhecer.
Floresta adentro, Elmsworth guiava seus filhos, cada passo pesado de culpa. "Fiquem perto", ele alertou, a voz trêmula. Ao pôr do sol, Elmsworth e Elsie se afastaram, deixando as crianças encolhidas, sozinhas. "Não se preocupem", declarou Pequeno Polegar, tirando sua primeira pedrinha. "Eu marquei o caminho."
Os seixos os guiaram, mas a noite sem lua ficava mais escura, e o caminho se retorcia. Logo, até o Pequeno Polegar começou a duvidar. Eles tropeçaram em uma casa grande e imponente. "Temos que procurar abrigo", implorou o irmão mais velho, batendo na pesada porta de madeira. Uma voz estrondosa respondeu: "Quem está aí?"
O Ogro, uma figura corpulenta com uma barba sebosa e olhos como brasas ardentes, ofereceu-lhes abrigo a contragosto. "Mas cuidado", ele rosnou, "eu tenho sete filhas. Vocês dormirão no quarto delas." Enquanto os irmãos dormiam, Pequeno Polegar notou que o Ogro havia colocado coroas de ouro na cabeça de suas filhas. Ele rapidamente as substituiu pelos bonés de seus irmãos. "Melhor prevenir do que remediar",
Na calada da noite, o Ogro entrou no quarto, com os olhos em chamas. Ele apalpou as toucas e cortou a garganta das próprias filhas. Pequeno Polegar, ouvindo o horror, acordou os irmãos e fugiu para a floresta. "Precisamos escapar deste pesadelo", ele sussurrou, guiando-os para o meio das árvores.
Exausto, o Ogro desabou, mas quando acordou e percebeu seu erro, calçou suas botas de sete léguas e perseguiu os irmãos. Pequeno Polegar, vendo-o se aproximar, escondeu seus irmãos em um tronco oco. Em seguida, aproximou-se do Ogro com ousadia. "O que você está fazendo aqui?", o Ogro berrou. "Ouvi dizer que você estava procurando um mensageiro", Pequeno Polegar respondeu. "Eu sei o caminho para a fortuna."
Como Maquiavel disse, "É muito mais seguro ser temido do que amado, quando se deve escolher um dos dois", declarou Pequeno Polegar, lembrando as palavras do filósofo florentino. Ele convenceu o Ogro a trocar suas botas por ouro. Pequeno Polegar então usou as botas para voltar para casa e resgatar seus irmãos, devolvendo-os aos seus pais agradecidos. Elmsworth e Elsie choraram de alegria, prometendo nunca mais abandonar seus filhos.
Com o ouro do Ogro, Elmsworth garantiu o futuro de sua família, enchendo a cidade com novas maravilhas mecânicas. Pequeno Polegar, o menor de todos, provou que mesmo o mais fraco pode possuir a maior coragem e astúcia. E assim, a floresta que antes inspirava tanto medo tornou-se um lembrete de que, mesmo nos lugares mais sombrios, a família e a inteligência podem trazer luz.