The Flying Coffin

Na cidade de Etória, que perfurava as nuvens e onde navios navegavam em rios de luz estelar, viviam três almas ligadas pelo destino: Silas, um solitário fabricante de caixões; Lyra, uma navegadora celestial; e Morwen, uma feiticeira envolta em sombras. Silas ansiava por conexão, criando vasos vazios para enterros celestiais que flutuavam no azul infinito. Mas uma profecia sussurrava sobre um caixão voador, um vaso de mudança, que salvaria ou condenaria Etória, testando os próprios alicerces de seu mundo. Somente a descida de um herói os levaria ao seu verdadeiro destino, guiados pela coragem, testados pelo medo, recompensados pelo amor.

Silas passou a mão sobre o cedro liso de seu mais recente caixão. "Outra jornada iniciada, outra alma partida", ele murmurou, sua voz ecoando na oficina. Ele vendia seus caixões artesanais para as famílias de Aethoria. Cada caixão era lançado ao céu e representava seus entes queridos falecidos para eles.

Lyra ajustou seu astrolábio, a testa franzida. "As correntes celestiais estão mudando, Mestre Elmsworth", disse ela ao seu mentor idoso. "Temo uma tempestade diferente de tudo o que já vimos." Mestre Elmsworth, apoiando-se pesadamente em seu cajado de madeira prateada, assentiu gravemente. "'Saber não é suficiente; devemos aplicar', como disse Goethe. Veja o que você pode antes que nos atinja!"

Morwen estava no parapeito mais alto, seu corvo empoleirado em seu ombro. "Os céus vão chorar", ela rouquejou, sua voz como folhas secas farfalhando. Uma figura encapuzada se aproximou. "O conselho busca o seu... conselho, Morwen", ele disse hesitantemente. "Eles temem a tempestade."

Um mensageiro frenético irrompeu na oficina de Silas. "O conselho te intima!", ele gritou. "Crie um caixão, grande o suficiente para um homem, forte o suficiente para voar! Imediatamente!" Silas ficou boquiaberto, atônito. Ele só havia feito caixões de tamanho normal e nunca tentara fazer um voar.

Morwen visitou Silas sob o manto da noite. "Posso ajudá-lo a fazê-lo voar", ela sibilou, com os olhos brilhando na escuridão. "Mas você deve me prometer algo em troca." Ele perguntou o que ela queria, e ela respondeu: "Uma única lágrima." Ele engoliu em seco.

Silas, com o coração pesado, concordou. Morwen cantou, tecendo um feitiço ao redor do caixão. Ele cintilou e pulsou com energia arcana. Uma única lágrima caiu. "Está pronto", Morwen disse baixinho, com uma estranha suavidade na voz. Silas agora estava preocupado com o que aquele caixão seria usado.

Lyra observava do observatório enquanto o caixão voador era lançado na tempestade. "Está indo em direção ao Abismo!", ela gritou, o medo apertando seu coração. "A profecia! Ela fala de uma descida, mas para onde?" Estava indo em direção ao seu destino inevitável.

Silas, guiado pela magia de Morwen, encontrou-se dentro do caixão voador enquanto ele mergulhava no Abismo. Ele fechou os olhos, preparando-se para o fim. Então, uma voz ecoou em sua mente: "'Nós somos o que fingimos ser, então devemos ter cuidado com o que fingimos ser', disse Kurt Vonnegut." Era Morwen. "Abra seus olhos, Silas. Veja a verdade."

Silas abriu os olhos e viu não a destruição, mas as raízes de Aethoria, a fundação oculta sobre a qual a cidade flutuava, agora esfarelando e fraca. O caixão se transformou, tornando-se um vaso de terra e luz, remendando as raízes. Aethoria estava salva. Silas não encontrou um fim, mas um começo — um propósito e um lar. E, ao salvá-los, ele se encontrou.