The Glass Mountain

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Em um farol solitário, onde o mar encontrava o céu em um turbilhão pintado, viviam Elara, a guardiã, e Kai, o sonhador inquieto. O mundo deles, contido pelo pulso rítmico da lâmpada, guardava uma lenda: uma Montanha de Vidro, cintilante e inescalável, protegida por um encantamento. Elara, presa ao dever, e Kai, impulsionado por um anseio por algo além do horizonte, estavam ambos atados ao farol, sem saber que seus destinos estavam prestes a colidir com a promessa gélida da montanha.

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"A lâmpada nunca deve falhar, Kai", disse Elara, com a voz firme, mas gentil. "Ela guia os navios por águas traiçoeiras. É nosso dever." Kai, polindo a grande lente, suspirou. "Mas o que nos guia, Elara?", ele perguntou. "É só isso que existe? Esta torre, esta lâmpada, este mar sem fim?" Elara apontou para uma inscrição gravada na pedra: "Aquele que conquista a si mesmo, conquista tudo."

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Em uma noite de tempestade, enquanto as ondas batiam no farol, Kai ouviu um sussurro no vento. "Suba a Montanha de Vidro...", parecia dizer. Ele descartou aquilo como imaginação até encontrar um pequeno pássaro de madeira, intrincadamente esculpido, jogado na praia; em suas garras, havia uma única pena, brilhando como gelo. Ele correu até Elara, com os olhos arregalados. "Eu acho", disse ele, com a voz trêmula, "que a montanha está me chamando."

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Um capitão de mar grisalho, abrigando-se da tempestade, ouviu as palavras de Kai. "A Montanha de Vidro?", ele zombou. "Missão de tolo, rapaz! Muitos tentaram, nenhum voltou. Dizem que ela reflete seus desejos mais profundos, transformando-os em ilusões." Ele deu um longo gole em seu cantil. "Como Sêneca disse, 'Todo novo começo vem do fim de algum outro começo.' Ir atrás daquela montanha significa o fim desta vida, garoto."

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Apesar do aviso do capitão, Kai permaneceu determinado. Elara, vendo sua resolução, ofereceu-lhe um pequeno espelho manchado. "Leve isto", disse ela. "A montanha mostra ilusões. Este espelho refletirá a verdade do seu coração. Não confie no que você vê, mas no que você sente." Ele olhou para ela, com gratidão enchendo seus olhos.

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Kai zarpou na manhã seguinte, o pássaro de madeira como seu guia. A Montanha de Vidro se erguia, sua superfície impossivelmente lisa, refletindo o céu como um espelho perfeito e distorcido. Ao chegar à costa, sentiu um puxão, um sussurro de seus desejos mais profundos: fama, fortuna, poder. A montanha cintilou, e diante dele apareceu uma visão de si mesmo, coroado e rico, adorado pelas multidões.

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Ele deu um passo em direção à visão, esquecendo o aviso de Elara, cativado pelo fascínio. Mas então, ele se lembrou do espelho. Ele o ergueu, e a figura coroada cintilou, revelando não glória, mas um rei solitário, de olhos vazios, preso em um pico estéril. "Eu não quero isso", Kai sussurrou. "Eu quero mais do que sonhos vazios."

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A ilusão desapareceu. A montanha permaneceu, ainda impossivelmente lisa. Ele olhou no espelho novamente, desta vez não para a montanha, mas para si mesmo. Ele viu não um herói, mas um jovem ansiando por propósito. E ele entendeu. A escalada não era sobre chegar ao topo, mas sobre entender quem ele era na base.

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Ele se virou e se afastou da montanha, o pássaro de madeira o guiando de volta à costa. Ele não escalou a Montanha de Vidro, mas havia conquistado algo muito maior: suas próprias ilusões. Ele sabia o que queria; aprender, crescer e abraçar seu dever.

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Kai retornou ao farol, não mais inquieto, mas pronto para abraçar seu dever. Ele ficou ao lado de Elara enquanto a lâmpada lançava seu feixe sobre o mar pintado. Ele não havia encontrado fama ou fortuna, mas encontrou algo muito mais valioso: paz. E como disse Aristóteles: "O valor último da vida depende da consciência e do poder da contemplação, e não da mera sobrevivência."