The King Thrushbeard

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Bem acima do mundo, aninhado entre as nuvens rodopiantes, ficava o reino de Aethoria, lar de um Rei orgulhoso, sua filha teimosa, Elara, e uma série de pretendentes esperançosos. Elara, conhecida por sua inteligência afiada e língua ainda mais afiada, dispensava cada príncipe e lorde com uma piada cruel. Mal sabia ela que sua arrogância logo atrairia a ira de um feiticeiro errante, torcendo seu destino e as fortunas do reino em uma história de dificuldades e amor inesperado.

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"Mais um se foi, Pai?" Elara sorriu, observando o último pretendente descer em uma carruagem de nuvens. O Rei suspirou, acariciando sua barba branca. "Seus julgamentos são muito duros, Elara. A beleza desvanece, mas a bondade perdura." Elara bufou. "Bondade é fraqueza, Pai. Preciso de um rei, não de um bobo da corte!"

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Enquanto Elara zombava de um nobre por sua gagueira, uma figura encapuzada materializou-se diante deles. Ele era alto e magro, com olhos como lascas de obsidiana. "Você se diverte com as falhas dos outros, Princesa?", o feiticeiro sibilou, sua voz como pedra rangendo. "Talvez você precise de uma lição de humildade." Ele ergueu uma mão nodosas, uma luz escura crepitando em sua palma.

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"Eu te amaldiçoo, Elara!", trovejou o feiticeiro. "Você vai se casar com o primeiro mendigo que passar pelo portão!" O Rei ofegou, sacando sua espada cerimonial. "Vá embora, criatura asquerosa!" O feiticeiro desapareceu em uma nuvem de fumaça preta, deixando Elara atordoada e o Rei enfurecido.

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Dias depois, um músico errante, vestido em trapos e dedilhando um alaúde surrado, apareceu no portão. Ele era jovem, com olhos gentis e um sorriso humilde. "Esmolas para o pobre, Vossa Alteza?", perguntou ele, curvando-se profundamente. O coração de Elara afundou. A maldição era real.

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O Rei, obrigado pela lei e pela magia do feiticeiro, concordou relutantemente com o casamento. Elara, chorando, foi levada ao altar. "Isto é um ultraje!", ela soluçou. O músico, vendo sua aflição, sussurrou: "Não tema, Princesa. Como Helen Keller disse, 'A vida é uma aventura ousada ou nada.' Vamos tirar o melhor proveito desta desgraça."

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O músico, que Elara descobriu se chamar Theron, não a levou a uma câmara real, mas a um pequeno chalé dilapidado nos arredores de Aethoria. "Este é o nosso novo lar", ele anunciou alegremente. Elara recuou horrorizada. "Esta espelunca? Prefiro morrer!" Theron apenas sorriu. "Então, vamos transformá-la em um lar digno de uma rainha."

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Theron, revelando um surpreendente talento para o artesanato, começou a consertar a cabana. Ele ensinou Elara a tecer cestas e vendê-las no mercado. "Trabalho está abaixo de mim!", ela protestou. "Não se traz pão para a mesa", Theron respondeu pacientemente. Aos poucos, Elara aprendeu o valor do trabalho duro e a alegria das coisas simples.

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Um dia, uma procissão real passou pelo mercado. Elara reconheceu seu pai e, escondendo o rosto, pediu esmolas à multidão. Theron, testemunhando sua vergonha, gentilmente pegou sua mão. "Não se desespere", ele sussurrou. "Pois a beleza é a eternidade a contemplar-se num espelho, como disse Khalil Gibran. Você é mais do que seu título, Elara."

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Elara, olhando para Theron, percebeu a verdade: ela havia encontrado um amor mais rico do que qualquer reino, uma vida mais gratificante do que qualquer título. A maldição havia sido quebrada, não por magia, mas por humildade e bondade. E assim, Elara, antes uma princesa orgulhosa, tornou-se uma verdadeira rainha, não por direito de nascença, mas pela graça de seu próprio coração transformado. Pois o orgulho constrói muros, mas a humildade abre portões.