The Red Ettin

Na cidade de recifes de corais de Aethel, onde navios piratas afundados se tornaram escolas e anêmonas brilhavam com magia esquecida, vivia a jovem Elara. Ela sonhava com um mundo além do recife, um mundo sussurrado em contos de piratas. O Velho Finn, historiador do navio e guardião de lendas esquecidas, a advertiu: "Algumas portas é melhor deixar fechadas, criança". Mas Elara, como todos os corações curiosos, ansiava por saber o que havia por trás da porta fechada.

Elara nadava pelo mercado agitado, sua cauda roçando em barracas repletas de pérolas cintilantes e moedas antigas. Ela parou na barraca do velho Finn. "Finn, conte-me de novo sobre o Ettin Vermelho", ela implorou. Finn suspirou, seus olhos azuis nublados de preocupação. "Ele era um gigante, dizem, que guardava uma porta. E atrás daquela porta..."

Elara interrompeu: "Atrás daquela porta há um caminho, um caminho que sempre leva à verdade. Eu li nos pergaminhos!" Finn balançou a cabeça. "A verdade é uma coisa perigosa, Elara. Às vezes, é melhor deixá-la enterrada." Ele entregou a ela uma pequena bússola de prata manchada. "Pegue isto. Pertenceu a um capitão pirata. Alguns dizem que aponta para o que você realmente busca, não apenas para o que você pensa que quer."

Naquela noite, atraída por uma força irresistível, Elara se viu na beira do recife. Uma imponente face rochosa coberta de cracas pairava diante dela, um lugar onde ela havia sido avisada para nunca se aventurar. Uma abertura escura e cavernosa bocejava na rocha, obscurecida por algas marinhas balançantes. Uma voz ecoou, sussurrando: "Perdida, pequena?"

Uma figura corpulenta emergiu das sombras – um tritão grotesco com escamas carmesim e olhos amarelos brilhantes. "Eu sou Groth", ele sibilou, sua voz como coral moendo. "E esta é a minha porta. Volte, peixinho, ou você se tornará parte do recife." Elara tremeu, mas ergueu a bússola. Ela girou descontroladamente e então apontou diretamente para Groth.

"Você não pode me assustar", Elara declarou, sua voz tremendo levemente. "Eu sei que o caminho atrás da porta sempre leva à verdade." Groth riu, um som arrepiante. "A verdade é um luxo que você não pode pagar. Eu te ofereço algo melhor – poder. Olhe os tesouros lá dentro." Ele gesticulou em direção à caverna, onde moedas de ouro brilhavam na escuridão.

Elara hesitou, seu olhar atraído pelo ouro reluzente. As palavras de Finn ecoaram em sua mente: "Alguns dizem que aponta para o que você realmente busca, não apenas para o que você pensa que quer". Ela fechou os olhos, lembrando-se de seu sonho — não de riquezas, mas de compreensão. Ela se concentrou na verdade, naquele caminho além da porta. "Eu busco conhecimento, não ouro", disse ela, firmemente.

Groth rugiu com raiva, e o chão tremeu. "Então você escolhe... o caminho mais longo." Ele bateu seu tridente contra a rocha, e a entrada da caverna começou a desabar. Elara, lembrando-se das palavras de Finn, percebeu o que a bússola realmente significava. Ela apontou a bússola para Groth. "A única coisa que temos a temer é o próprio medo", ela gritou, citando Franklin Roosevelt, como os americanos haviam dito.

A bússola brilhou com uma luz ofuscante, revelando a verdadeira forma de Groth: um tritão assustado e solitário, preso atrás de uma parede de sua própria criação. Os "tesouros" eram ilusões, manifestações de seu medo. A caverna se dissolveu, revelando um caminho claro e fluente. Groth olhou para cima, maravilhado, suas escamas carmesim desbotando para um azul suave.

Elara sorriu, estendendo a mão para Groth. Juntos, eles nadaram pelo caminho recém-aberto, em direção ao desconhecido. Elara havia buscado a verdade e, ao fazê-lo, libertou os dois. E, no final, ela descobriu que a maior prisão é aquela que construímos para nós mesmos.