The Snow Queen

Em um oásis cintilante no deserto, aninhado entre colossais esculturas de areia que sussurravam profecias esquecidas, viviam Gerda e Kai. Gerda, com um coração tão quente quanto o sol do deserto, e Kai, cujo riso ecoava como sinos de vento, eram inseparáveis. Mas um fragmento de gelo, nascido do espelho amaldiçoado da Rainha da Neve, ameaçava quebrar o laço deles e mergulhar o oásis em um inverno eterno. Somente a coragem e o amor inabalável poderiam quebrar o feitiço.

Gerda traçou cuidadosamente os padrões em uma rosa-do-deserto caída. "Essas gravuras contam sobre a Rainha da Neve", disse ela, apontando para uma figura envolta em branco. Kai zombou. "Histórias de velhas! Ela é só uma história para assustar crianças." Ele pegou um pedaço liso de obsidiana. "Vê? Isso é muito mais interessante. Reflete a luz perfeitamente."

De repente, Kai gritou, segurando o olho. "Algo me picou!", exclamou ele, esfregando furiosamente. Gerda examinou o olho dele, mas não viu nada. "É só um pouco de areia", disse ela, tranquilizando-o. Mas o riso de Kai havia sumido, substituído por um olhar frio e distante.

Naquela noite, uma cegante tempestade de areia desceu sobre o oásis. Enquanto se amontoavam para se aquecer, Kai empurrou Gerda para longe. "Não me toque!", ele retrucou, a voz carregada de gelo. "Você está me sufocando." Ele se virou e se aventurou nas areias revoltas, desaparecendo na tempestade.

Dias viraram semanas, e Kai não voltou. Gerda se recusava a acreditar que ele estava perdido. "'As melhores e mais belas coisas do mundo não podem ser vistas nem tocadas – elas devem ser sentidas com o coração'", ela declarou, citando Helen Keller para um ancião cético. "E eu sinto que Kai ainda está por aí."

Seguindo um bando de maçaricos cintilantes, Gerda aventurou-se além do oásis. O deserto estendia-se à sua frente, infinito e implacável. Uma velha ofereceu a Gerda tâmaras douradas e brilhantes. "Coma, criança", ela cantarolou. "Esqueça seu amor perdido. O ouro é o único calor verdadeiro."

"Não!", Gerda gritou, empurrando as tâmaras. "O ouro é frio e vazio. O amor é o único tesouro verdadeiro." A velha mulher gargalhou, revelando dentes de obsidiana polida. "Garota tola! A Rainha da Neve a espera."

O deserto se transformou em um ermo congelado. Diante dela, erguia-se um imponente palácio de gelo. Lá dentro, Kai estava sentado apaticamente, olhando para um vasto e distorcido espelho. "Kai!", Gerda gritou. Ele olhou para cima, mas seus olhos permaneceram frios e distantes.

Gerda correu para Kai, abraçando-o fortemente. Lágrimas escorriam pelo seu rosto, derretendo o gelo ao redor do coração dele. Um caco do espelho caiu do seu olho, estilhaçando-se no chão congelado. Ele piscou, e o reconhecimento inundou seu rosto. "Gerda! O que... o que aconteceu?"

Enquanto o sol aquecia o deserto, o palácio de gelo se dissolveu e o oásis floresceu mais uma vez. Gerda e Kai voltaram para casa, seu laço mais forte do que nunca. Eles aprenderam que o verdadeiro calor não vem do ouro ou da perfeição fria, mas do amor inabalável em seus corações. Pois no deserto, às vezes a coisa mais bonita que você pode encontrar é a amizade.