The Spirit in the Bottle

The Spirit in the Bottle — cover The Spirit in the Bottle — page 1

Na cidade de Veridium, banhada em neon, onde a natureza arranhava cada arranha-céu, vivia uma sopradores de vidro chamada Elara, um trapaceiro conhecido como Jinn, e um misterioso velho mercador chamado Silas. Elara ansiava por uma vida além de seus sonhos despedaçados, Jinn buscava apenas travessuras, e Silas acumulava segredos mais sombrios que o submundo da cidade. A lenda contava sobre uma garrafa contendo um espírito capaz de conceder qualquer desejo, uma promessa que os tentava a todos e ameaçava consumi-los.

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Elara soprava delicadas flores de vidro, sua frágil beleza um cruel lembrete de seus sonhos despedaçados. Cada peça era mais uma memória vendida, mais uma esperança estilhaçada. "Lindo, Elara, mas beleza não paga as contas", rosnou seu senhorio, um homem corpulento com olhos cibernéticos, pegando a última criação. Ele jogou algumas notas em sua direção. Ela suspirou, seu reflexo espelhado no vidro que estava soprando.

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"Dizem por aí", Jinn ronronou, materializando-se das sombras, "que Silas desenterrou algo... extraordinário." Elara bufou, largando suas ferramentas. "Silas só lida com miséria e falsa esperança, Jinn. Nunca me envolverei com ele." Jinn sorriu, seus olhos brilhando como esmeraldas polidas. "Mas e se isso fosse mais do que falsa esperança? E se pudesse trazer de volta a vida com que você sonha?"

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Atraída por rumores sussurrados, Elara encontrou a loja de Silas escondida sob os restos esqueléticos de uma velha catedral. Teias de aranha agarravam-se a prateleiras transbordando de relíquias empoeiradas e bugigangas esquecidas. "Procurando por algo especial, passarinho?" Silas perguntou com a voz rouca, como engrenagens rangendo. "Algo... insubstituível?" Elara hesitou, olhando para uma garrafa escura guardada em uma prateleira alta.

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"Aquela garrafa...", Elara começou, mas Silas a interrompeu. "Contém um espírito. Preso para conceder desejos. Mas esteja avisada, passarinho, o poder sempre exige um preço." Ele desceu lentamente de seu poleiro atrás do balcão, apontando com um dedo nodosos. "Como Nietzsche disse: 'Quem luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro'. Você entende? Você busca controlar a garrafa, ela vai controlar você."

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Ignorando o aviso de Silas, Elara trocou uma vida inteira de suas criações de vidro pela garrafa. Ela parecia pesada em suas mãos, irradiando um calor antinatural. De volta à sua oficina, ela destampou a garrafa. Uma pluma de fumaça iridescente saiu, solidificando-se em uma figura imponente com olhos como brasas. "Você me libertou, mortal", o espírito trovejou. "Diga seu desejo."

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Elara, cega por seu desejo, quis que sua família despedaçada se tornasse inteira novamente. O espírito sorriu, um gesto arrepiante. Em um piscar de olhos, sua oficina se transformou em um lar vibrante, seus pais rindo, seus irmãos brincando. Mas seus olhos... eles eram vazios, seus movimentos rígidos. Eram meros ecos, marionetes de seu desejo. "Isso não está certo!", ela gritou, horrorizada. "Eles não são reais!"

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A voz do espírito ecoou em sua mente: "Você desejou a completude, mortal. Não especificou o custo?" Desesperada, Elara lembrou-se de uma antiga técnica de soprar vidro: infundir o vidro com uma gota do próprio sangue, ligando-o à alma. "Eu desejo desfazer meu desejo!", ela gritou, cortando a palma da mão. O espírito recuou, mas era tarde demais. Uma única gota de sangue caiu em uma de suas flores de vidro, agora imbuída de magia. O quarto começou a tremer.

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Com um último surto de poder, Elara estraçalhou a flor de vidro. Os ecos de sua família desapareceram, o espírito uivou enquanto seu poder diminuía, e então se dissolveu no ar. Apenas a garrafa escura permaneceu, agora vazia. Exausta, Elara olhou em volta para sua oficina destruída, as luzes de neon projetando longas sombras. Embora vazia, a escuridão parecia real.

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Dias depois, Elara encontrou Jinn observando Silas ser escoltado por guardas da cidade. "O que aconteceu?", Elara perguntou. Jinn sorriu. "Silas desejou riqueza, mas esqueceu de especificar de onde. Ele acabou roubando da própria cidade." Elara assentiu, seu olhar varrendo o horizonte recuperado. O espírito na garrafa concedeu o desejo de Silas, mas apenas lhe deu o que ele já desejava; sua tentação foi o que o levou a perder tudo. Elara conhecia os perigos da ganância e agora entendia mais do que nunca.