The Wild Swans — Ler em português
Os títulos das histórias ainda aparecem em inglês; o texto de cada história está em português.

Num reino tocado por poeira estelar, onde o céu chorava chuvas de meteoros e carnavais floresciam sob a luz cósmica, vivia um rei chamado Oberon, sobrecarregado por um segredo triste. Sua única filha, Elisa, ansiava por independência de sua gaiola dourada, e seus seis filhos se deleitavam em jogos festivos. Mas a maldição sombria de uma feiticeira ameaçava transformá-los a todos, a menos que Elisa aprendesse a abraçar o auto-sacrifício.

"Pai, devo ser sempre um pássaro dourado em sua gaiola?", perguntou Elisa, olhando para os fantoches brilhantes. Oberon suspirou. "Minha querida, estas paredes a protegem das sombras que espreitam lá fora. Você não sobreviveria além dos limites do carnaval", disse ele, ajustando sua coroa de joias. A chuva de meteoros se intensificou, lançando um brilho misterioso.

Naquela noite, enquanto estrelas cadentes riscavam o céu, uma figura curvada emergiu das sombras. "Eu lhe ofereço liberdade, princesa", grasnou a feiticeira, sua voz como folhas secas farfalhando. "Mas tais presentes sempre vêm com um preço", ela alertou, estendendo uma moeda de ouro cintilante. Elisa hesitou, segurando um pingente de prata em forma de cisne.

"O amor de um rei não é liberdade, mas correntes", sibilou a feiticeira, revelando dentes pontudos ao sorrir. Tentada pela promessa de autonomia, Elisa agarrou a moeda e instantaneamente seus irmãos explodiram em corvos, circulando acima na noite. "O que foi que eu fiz?", ela chorou, caindo de joelhos.

Oberon, transtornado com o desaparecimento de seus filhos, baniu Elisa do carnaval, proibindo-a de retornar até que encontrasse uma maneira de reverter a maldição. "Devo enfrentar o desconhecido", ela sussurrou, entrando na floresta escura e retorcida que margeava o terreno do carnaval. "Como disse Virgílio, 'A descida ao inferno é fácil', mas retornar é a parte difícil."

Dias viraram semanas enquanto Elisa vagava pela floresta. Certa noite, ela tropeçou em uma cabana dilapidada onde uma velha mulher tecia urtigas transformando-as em camisas. "Cada ponto carrega sacrifício", a mulher sussurrou, com os olhos como poças antigas. "Para quebrar a maldição, você deve tecer estas camisas para seus irmãos, mas não poderá falar ou rir até que a tarefa esteja completa."

Elisa assentiu, aceitando o feixe de urtigas e o tear. O silêncio se instalou ao redor dela, mais pesado que qualquer corrente. Ela começou a tecer, com os dedos em carne viva e sangrando, o coração doendo pelos irmãos. Cada ponto era uma promessa, cada nó uma oração.

Um dia, um belo rei descobriu Elisa na floresta. Encantado por sua beleza, ele a levou de volta ao seu castelo e a fez sua noiva. Mas seu conselheiro, um homem astuto com olhos gananciosos, suspeitava que o silêncio dela escondia um segredo sombrio. "Ela é uma bruxa!", ele sibilou, plantando sementes de dúvida na mente do rei.

Com as camisas quase prontas, o conselheiro convenceu o rei a acusar Elisa de bruxaria, ordenando que ela fosse queimada na fogueira. Enquanto as chamas saltavam ao seu redor, ela jogou as camisas de urtiga sobre os corvos que circulavam acima. Os pássaros se transformaram em homens, seus irmãos, que a abraçaram enquanto desciam do céu.

A maldição foi quebrada, e o carnaval brilhou mais forte do que nunca. Oberon, humilhado pela abnegação de sua filha, abraçou seus filhos. Elisa, agora livre, sabia que a verdadeira independência não era sobre escapar da responsabilidade, mas sobre abraçar os fardos do amor. A feiticeira nunca mais foi vista, talvez um símbolo de seu medo que se esvaía. Afinal, a liberdade é encontrada através de sacrifícios, sejam eles dourados ou desgastados.