The Wolf and the Seven Little Kids — Ler em português
Os títulos das histórias ainda aparecem em inglês; o texto de cada história está em português.

Numa floresta caprichosa onde os animais usavam óculos e devoravam livros, vivia a Mamãe Cabra, uma renomada estudiosa, e seus sete filhos brilhantes: Prim, Hazel, Ash, Rue, Clover, Finn e o pequeno Pip. O chalé aconchegante deles, aninhado ao lado de um riacho murmurante, era um refúgio de aprendizado. Mas além do portão do jardim espreitava um lobo astuto, com os olhos brilhando de uma fome não por carne, mas por conhecimento... e travessuras. Ele ansiava pelos segredos escondidos na biblioteca da Mamãe Cabra, e a única maneira de entrar era através de seus filhos confiantes.

"Meus queridos", anunciou Mamãe Cabra, ajustando os óculos, "preciso ir à Grande Biblioteca para devolver este manuscrito atrasado. Lembrem-se, não abram a porta para ninguém! Especialmente para aquele lobo astuto." Prim, a mais velha, assentiu solenemente. "Nós entendemos, Mãe. Seremos diligentes leitores enquanto você estiver fora."

O lobo, escondido atrás de um imponente carvalho, riu sombriamente. Ele se lembrou de uma passagem de um tomo empoeirado: "Conhecimento é poder, mas a decepção é uma lâmina mais afiada." Ele ajeitou os óculos, tirou um livro esfarrapado de sua sacola e praticou sua voz mais melosa. Uma batida ecoou na porta da cabana. "Pequeninos", uma voz rouca chamou, "sou um bibliotecário viajante, aqui para entregar um novo e fascinante volume!"

Prim espiou pelo buraco da fechadura, franzindo a testa. "Ele parece ter pedras na garganta", ela sussurrou. Ash, sempre cético, acrescentou: "E as patas dele são muito grandes para um bibliotecário! Mamãe sempre dizia: 'Cuidado com lobos em tweed'". Rue, no entanto, estava intrigada. "Mas e se ele realmente tiver uma rara primeira edição?"

"Bobagem!", o lobo troveja, enfiando uma pata peluda por debaixo da porta. "Observe este volume requintado, 'A História dos Esquilos de Óculos'!". Finn ofega. "Esquilos com óculos?". Clover guincha. "Ah, por favor, Prim, só uma espiadinha!". A tentação do conhecimento proibido corrói a determinação de Prim.

Prim hesitou, lembrando-se do aviso da Mãe Cabra. "Prove que você é um verdadeiro amante de livros! Recite um verso de 'A Sabedoria das Doninhas'!" O lobo tossiu, a voz carregada de doçura forçada. "Rosas são vermelhas, violetas são azuis... hum... livros são legais, e aprender também!" Prim suspirou. "Isso é atroz! Você não é um bibliotecário!"

O lobo, derrotado mas não dissuadido, esgueirou-se para a floresta. Ele se lembrou das palavras de Voltaire: "Desaprovo o que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-lo." O lobo ponderou: "Se não consigo impressioná-los com conhecimento, talvez consiga com doçura!" Ele procurou o padeiro da aldeia, um texugo astuto com reputação de guloseimas deliciosas e esquemas ainda mais deliciosos.

"Preciso de uma voz como mel, suave como pergaminho", rosnou o lobo. O padeiro, sempre oportunista, misturou uma poção de mel, giz e sussurros de encantamento. "Beba isto, e você vai encantar até o ouvido mais exigente", ele gargalhou. O lobo engoliu, sua voz instantaneamente se transformando em um barítono melodioso.

Ele voltou para a cabana, sua voz soando como um sino de prata. "Pequenos vermes de livro, voltei com contos de terras distantes e ameixas açucaradas!" Prim, hipnotizada pela melodia encantadora, abriu a porta. O lobo, com os olhos brilhando de triunfo, entrou. "E agora", ele ronronou, "para uma lição em... consumo!"

Mamãe Cabra voltou e encontrou sua casa em desordem, com apenas o pequeno Pip escondido no relógio de pêndulo. Com a ajuda de Pip, ela elaborou um plano inteligente. Eles encheram a barriga adormecida do lobo com pedras pesadas e o jogaram no poço. A justiça foi feita e eles aprenderam que quanto mais doce a voz, mais enganoso o coração; e quanto mais bonita a encadernação, mais cuidadosamente você deve ler suas páginas.