The Wooden Eagle — Ler em português
Os títulos das histórias ainda aparecem em inglês; o texto de cada história está em português.

Dentro de um reino de globo de neve, viviam o Rei Oberon, a Rainha Titânia, seu bravo filho o Príncipe Caius, e um entalhador chamado Silas. Mas o globo estava perdido, seu mundo encolhendo sob um céu que escurecia. Silas, mais do que qualquer um, ansiava por escapar — ele sonhava em esculpir uma águia de madeira para levá-los todos à liberdade. Para que o reino retornasse ao seu esplendor original, Silas teria que aprender que, às vezes, a maior arte exige sacrifício.

As mãos de Silas, nodosas como raízes antigas, dançavam sobre a madeira. "Uma águia magnífica, Silas!", exclamou o jovem Caio, observando. "Ela realmente nos tirará desta prisão congelada?" Silas suspirou, passando a mão pela superfície da madeira. "Talvez, jovem príncipe. Mas uma grande jornada exige mais do que asas fortes."

Naquela noite, Silas aventurou-se na floresta em miniatura do globo, um lugar de crepúsculo perpétuo. As árvores apertavam-se, seus galhos como dedos esqueléticos. "O que estou perdendo?", Silas murmurou, o frio penetrando em seus ossos. Uma rajada de vento sussurrou nas folhas, carregando um leve sussurro: "O coração da madeira é o seu sacrifício."

"Silas!", a voz do Rei Oberon ecoou. "O globo escurece! Termine sua águia, e rápido!" Ele ofereceu a Silas uma pilha de ouro. "Use isto para apressar seu trabalho!" Silas hesitou, olhando o ouro tentador. "Mas, Majestade, a pressa é inimiga da perfeição, como dizem — e esta águia deve ser perfeita para nos salvar a todos."

Dias viraram noites enquanto Silas trabalhava. O ouro brilhava, sussurrando conforto. Ele esculpia mais rápido, sacrificando detalhes pela velocidade. A águia crescia, mais impressionante, contudo... algo estava faltando. Ele se lembrou de Leonardo da Vinci, que disse: "Os detalhes fazem a perfeição, e a perfeição não é um detalhe". Estaria ele sacrificando a perfeição pela velocidade?

A Rainha Titânia, com o rosto marcado pela preocupação, entrou na oficina. "Silas, você emagreceu muito", disse ela suavemente. Ela ergueu um pequeno espelho. "Olhe para si mesmo. Este é o rosto de um salvador, ou de um prisioneiro da ambição?" Silas olhou para o espelho, vendo seu reflexo distorcido pela ganância. Ele sabia o que tinha que fazer.

Com as mãos trêmulas, Silas esmagou a pilha de ouro, quebrando seu encanto. Ele então pegou a águia enorme e, com o coração pesado, começou a desmontá-la. "O que você está fazendo?", Caius gritou, entrando de repente. "Você está destruindo nossa única esperança!" Silas olhou para o príncipe e disse suavemente: "Às vezes, jovem, para construir algo grandioso, você deve primeiro derrubar o que está imperfeito."

Silas, guiado pelo espelho da rainha, recomeçou. Desta vez, ele esculpiu com paciência, imbuindo cada pena com amor. Ele usou o ouro quebrado para criar delicadas incrustações, refletindo a luz do reino. Finalmente, a águia estava pronta, menor, mas perfeita. Ele colocou a escultura no ponto mais alto do reino, como se estivesse pronta para voar.

Enquanto Silas observava, a águia começou a brilhar mais forte. A rachadura no globo de neve aumentou, e uma rajada de vento preencheu o pequeno mundo. As cores do reino se intensificaram, depois desvaneceram, como um sonho que termina. Ele sorriu, compreendendo que havia usado sua arte não para escapar, mas para deixar as pessoas voarem, finalmente se libertando ao criar algo belo no mundo.

O globo de neve jazia estilhaçado, uma concha vazia. O reino lá dentro tinha desaparecido, mas Silas, o Rei, a Rainha e o Príncipe viviam em um novo mundo ensolarado. Como Silas disse a Caio certa manhã: "Todos nós somos confrontados com uma série de grandes oportunidades brilhantemente disfarçadas de situações impossíveis", como Rosa Parks disse uma vez. Pois a prisão dourada em que estavam anteriormente o deixou com nada além de tempo, tempo que ele usou para aperfeiçoar seu trabalho.