Vasilisa the Beautiful — Ler em português
Os títulos das histórias ainda aparecem em inglês; o texto de cada história está em português.

Nas horas silenciosas, quando o luar banhava a Grande Galeria, as pinturas se agitavam. Vasilisa, um retrato de uma donzela com olhos como brasas, ansiava pelo mundo além de sua moldura dourada. Um astuto trapaceiro, o Gato, sussurrava promessas de liberdade, enquanto o severo Curador, um guardião da ordem, alertava contra tal loucura. Mas o coração de uma pintura, como qualquer coração, deseja o que não pode ter.

Vasilisa suspirou, olhando seu reflexo no vidro. "Confúcio disse uma vez: 'Temos duas vidas, e a segunda começa quando percebemos que só temos uma.' Estou presa nesta primeira vida, nunca vivendo de verdade", ela murmurou para o Gato. Ele ronronou, com a cauda tremendo: "Mas, querida Vasilisa, por que permanecer prisioneira da tinta? Eu conheço uma saída." Ele gesticulou com um movimento astuto da cauda em direção a um corredor escuro.

O Curador materializou-se ao lado de sua moldura. "Não o escute, Vasilisa", ele advertiu, sua voz ecoando com autoridade. "O mundo lá fora não é tão encantador quanto parece. Pinturas que deixam suas telas desvanecem, perdendo sua própria essência." Vasilisa hesitou, o medo apertando em seu estômago, mas o fascínio da liberdade era muito forte. "Mas o que é essência, se não experiência?"

O Gato sorriu, revelando dentes afiados. "Ele fala de pó e regras! Eu falo de jardins iluminados pela lua e beijos roubados!" Ele ofereceu a Vasilisa um fio dourado e cintilante. "Este fio, fiado da luz do luar, a guiará pelas sombras. Mas esteja avisada, querida: a floresta guarda muitos segredos." Vasilisa pegou o fio, os dedos tremendo.

Assim que Vasilisa saiu de sua moldura, o mundo embaçou, cores rodopiando ao seu redor. O Gato riu, "A floresta responde ao desejo, pequena pomba. Lembre-se disso." Ela se viu na beira de uma floresta pintada, suas árvores retorcendo-se em formas grotescas. O fio dourado pulsava com luz, puxando-a para o desconhecido.

Mais fundo na floresta ela se aventurou, o ar denso com o cheiro de decomposição. Diante dela, dois caminhos divergiam, um cintilando com ouro de tolo, o outro envolto em névoa. Uma voz desencarnada ecoou: "Escolha sabiamente, pois apenas um caminho leva à verdade." Vasilisa lembrou-se de uma pintura que vira uma vez: Um homem pegando pedras brilhantes, sozinho no escuro.

Vasilisa fez uma pausa. "Sêneca disse: 'Todo novo começo vem do fim de algum outro começo.' Se minha vida antiga realmente acabou, então preciso saber o que estou começando." Ela jogou fora o fio dourado, sua falsa luz diminuindo. Escolhendo o caminho nebuloso, ela sussurrou: "A verdade não pode ser comprada, nem vista com olhos manchados."

A floresta mudou, as árvores grotescas recuaram, substituídas por um prado sereno. No centro dele havia um espelho, sua superfície refletindo não a própria imagem dela, mas a galeria — as pinturas desbotando, suas cores se esvaindo. A voz do Curador ecoou: "Seu mundo está morrendo, Vasilisa! Sua escolha está nos matando a todos!". Ela podia retornar, permanecer como estava ou partir para sempre.

Lágrimas escorriam pelo rosto de Vasilisa. Ela sussurrou: "Meu desejo me cegou. Mas não é tarde demais." Com uma onda de nova determinação, ela se virou e correu de volta para a galeria, o caminho nebuloso desabando atrás dela. "Não posso deixar que um momento de desejo custe tanto a tantos", ela gritou.

Vasilisa voltou para sua moldura, as cores da galeria retornando lentamente. O Gato desapareceu, deixando apenas o eco de um ronronar. O Curador sorriu, um calor gentil em seus olhos. "As maiores obras-primas", disse ele, "não são aquelas que buscam a liberdade, mas aquelas que encontram a beleza em sua própria moldura." E assim, Vasilisa aprendeu que a verdadeira liberdade não reside em escapar dos próprios limites, mas em abraçá-los.