O Beco do Apagão
Uma chuva de meteoros flamejou pelo céu, pintando a escuridão com rastros de esmeralda e ouro. Sob esse fogo de artifício celestial, um carnaval ganhava vida — "Beco do Apagão", um espetáculo fugaz que aparecia apenas quando os céus choravam poeira estelar. Figuras sombrias flutuavam pelo parque de diversões, seus rostos obscurecidos pelo brilho fraco e misterioso de lanternas de outro mundo. Sussurros carregados pelo vento insinuavam segredos e estranhas barganhas dentro desse bazar noturno.
Roxanne, uma jovem com olhos que espelhavam o céu noturno, entrou no caos rodopiante do carnaval. Seu casaco escuro girava ao seu redor, escondendo um propósito tão afiado quanto as facas de arremesso que brilhavam na tenda do show de aberrações. Ela estava procurando por algo — ou alguém — perdido nos becos labirínticos de Blackout Alley. Esta noite, Roxanne encontraria respostas, ou seria engolida inteira pelos mistérios do carnaval.
"Perdida, pardalzinho?" uma voz rouca grasnou das sombras. Madame Evangeline, a cartomante do carnaval, emergiu, seu rosto um mapa de rugas gravadas por segredos e luz das estrelas. "O Beco do Apagão pega o que quer, e raramente devolve." Roxanne encontrou seu olhar, destemida. "Estou aqui para cobrar uma dívida."
De repente, o chão tremeu. A chuva de meteoros se intensificou, lançando sobre o carnaval um brilho sobrenatural. Um carrossel monstruoso, escondido até agora, ergueu-se das profundezas da terra, seus cavalos esculpidos em obsidiana e pesadelo. Isso era mais do que apenas um carnaval; era um portal, um nexo de forças cósmicas, e Roxanne estava presa à sua atração.
Roxanne ofegou, tropeçando para trás enquanto os cavalos de obsidiana fixavam seus olhos vermelhos brilhantes nela. Que lugar é este? ela se perguntou, com o coração batendo forte. Uma risada arrepiante ecoou do centro do carrossel. As próprias sombras pareciam se unir, formando uma figura de pura escuridão.
"Bem-vinda, Roxanne", a figura sombria troveja, sua voz uma sinfonia de sussurros. "Eu sou o Tecelão da Noite, e este é o meu domínio." Roxanne se levanta, seu medo endurecendo em resolução. "Você tirou alguém de mim. Devolva-o."
O Tecelão da Noite riu, um som que arranhou a alma de Roxanne. "Ele escolheu ficar. O Beco do Apagão oferece o que o mundo não pode." Ele gesticulou ao redor do carnaval. "Poder, segredos, desejos realizados..."
Roxanne avançou, sua adaga um risco prateado na noite. Mas o Tecelão Noturno era intocável, um ser de pura sombra. Ele defletiu os ataques dela com facilidade, sua risada ecoando pelo carnaval. Ela sabia que precisava de algo mais, algo que o Tecelão Noturno não esperava.
Roxanne lembrou o que o velho Silas, o funileiro, lhe dissera antes de ela entrar no Beco Blackout: que a poeira de meteoro continha luz estelar concentrada, capaz de perfurar sombras. Ela rapidamente remexeu no casaco e puxou uma pequena garrafa de vidro cheia de um pó cinza e brilhante. "Hora de acender você!"
Roxanne arremessou a poeira de meteoro no ar. Ela explodiu em um clarão ofuscante de luz estelar, queimando a forma sombria do Tecelão da Noite. Ele gritou, um som de pura agonia, enquanto sua escuridão começava a se dissipar. Roxanne aproveitou a vantagem, aproximando-se.
À medida que o Tecelão Noturno enfraquecia, uma figura cambaleou para fora das sombras — um jovem, magro e pálido, mas vivo. "Daniel!", Roxanne gritou, correndo em sua direção. Ele estava ali, mas o Tecelão Noturno ainda tinha poder. "Ele pertence ao Beco do Apagão agora!", o Tecelão Noturno sibilou.
"Não se eu puder evitar", Roxanne cuspiu, sacando sua adaga mais uma vez. Ela circulou a Tecelã Noturna e Daniel. Ela se lembrou de algo que leu em um livro antigo na oficina de Silas, que para banir verdadeiramente as sombras, é preciso encarar a própria escuridão. Qual era a escuridão dela?
Então a atingiu — seu passado, seus fracassos, a culpa que carregava. Roxanne fechou os olhos, abraçando a dor. Quando os abriu, eles brilhavam com uma força recém-descoberta. Ela entendeu: sua escuridão era seu poder. A poeira prateada de meteoro em sua faca ficou brilhante.
Com um grito, Roxanne cravou sua adaga no chão. O carnaval estremeceu, suas ilusões despedaçadas. O carrossel de obsidiana desmoronou em pó. O Tecelão da Noite gritou ao ser consumido pela luz. Daniel estava ao lado de Roxanne, livre do domínio da sombra.
À medida que a chuva de meteoros desaparecia, o Beco do Apagão sumia, deixando para trás apenas um campo vazio. Roxanne olhou para Daniel, um fantasma de sorriso em seus lábios. "Acabou", ela disse suavemente. "Você está livre agora."
"Eu não sei como te agradecer", Daniel disse, sua voz ainda rouca. "Você arriscou tudo por mim." Roxanne deu de ombros. "Você me disse uma vez, Daniel, que 'a única saída do labirinto do sofrimento é perdoar', assim como John Green, o autor, disse em um de seus livros. Eu me perdoei, e isso foi o suficiente."
Eles começaram a se afastar do campo, em direção ao sol nascente. Roxanne sabia que o Beco do Apagão retornaria com a próxima chuva de meteoros e, com ele, novos mistérios e novos perigos. Mas ela estava pronta. Ela havia enfrentado sua escuridão e vencido.
Mas, mesmo enquanto se afastavam, uma fraca luz verde cintilou ao longe. Mais fundo na floresta, uma nova tenda havia surgido, brilhando misteriosamente sob o céu da manhã. A placa acima da tenda dizia: "A Coleção do Curador".
Roxanne fez uma pausa, sentindo a escuridão retornar. Ela apertou a mão de Daniel, os olhos semicerrados. Ela sabia que sua luta estava longe de terminar. Beco do Apagão sempre chama para mais uma rodada... Roxanne estava pronta.
A tenda de carnaval, geralmente um farol de caos vibrante, brilhava ameaçadoramente sob o céu claro da manhã. O ar ao redor da tenda era sutilmente sinistro, contrastando com a luz da manhã. Roxanne sentiu um tremor de desconforto. "Ele está aqui", ela sussurrou, sua mão instintivamente indo para o frasco de poeira de meteoro. Daniel estremeceu ao lado dela. O Beco sempre tinha um último truque.