O Ano Tranquilo
Engrenagens gigantes giravam lentamente ao longe, cada uma maior que uma casa, enquanto Elara e Wren observavam de sua casa flutuante na ilha. "Mais um dia, mais uma nuvem", Wren suspirou, chutando uma pequena pedra da beirada. Abaixo deles, ilhas menores flutuavam preguiçosamente, conectadas por pontes cintilantes de luz e antigas correntes cobertas de videiras. Elara se virou, um brilho determinado em seus olhos, "Precisamos encontrar algo mais, Wren!"
Elara deslizou os dedos sobre o mapa desgastado. "Lembra o que Da Vinci disse? 'Quem não está ocupado nascendo, está ocupado morrendo.' Não podemos apenas manter as engrenagens girando — temos que explorar!" Wren mexia na beirada desfiada de sua túnica, um hábito nervoso. "Mas e se a gente cair, Elara? E se as lendas sobre as Feras Sombrias lá embaixo forem verdadeiras?"
"Ouvi sussurros de uma biblioteca escondida, cheia de histórias dos Antigos que construíram este lugar", disse Elara, com os olhos brilhando de excitação. "Dizem que ela guarda os segredos para mover as ilhas, para moldar nosso próprio destino!" Wren considerou isso, um lampejo de esperança em seus olhos. "Está bem", ele concordou relutantemente. "Mas se virmos qualquer Fera Sombria, voltaremos imediatamente!"
Eles seguiram as antigas pontes de corrente, com o vento assobiando em seus ouvidos, pelo que pareceram horas. De repente, chegaram a uma ilha em ruínas, meio coberta de musgo e tomada por estranhos fungos luminosos. "É aqui", Elara sussurrou, apontando para uma porta escondida atrás de uma cachoeira de névoa cintilante. "A entrada para a Biblioteca Esquecida!"
Ao atravessarem a cachoeira, o chão tremeu sob seus pés. Um enxame de criaturas parecidas com morcegos irrompeu da escuridão, guinchando e batendo suas asas coriáceas. "Feras Sombrias!", Wren gritou, agarrando o braço de Elara. "Eu te disse que isso era uma má ideia!"
Elara empurrou Wren para trás dela, sacando a adaga ornamental de seu cinto. "Essas não são Feras Sombrias, elas estão apenas assustadas!", ela gritou por cima da cacofonia. Ela notou que as criaturas eram atraídas pela luz dos fungos brilhantes e acenou um pedaço deles para elas. "Como mariposas para uma chama", ela percebeu, lembrando-se de uma lição de infância.
As criaturas seguiram a luz mais fundo na biblioteca, seus gritos sumindo na distância. Elara e Wren as seguiram cautelosamente, o ar ficando denso com o cheiro de papel velho e poeira. O salão principal se abriu diante delas, revelando fileiras e mais fileiras de estantes imponentes, que se estendiam até o teto invisível.
Procurando freneticamente, Elara lembrou-se de uma passagem de um pergaminho antigo: "A chave para o movimento reside no coração do céu." Ela ofegou, olhando para cima. "Wren, olhe!" Acima deles, uma enorme lente cristalina focava a luz do sol em uma única engrenagem pulsante.
"Aquela engrenagem controla o equilíbrio desta ilha!", exclamou Wren, a compreensão surgindo em seu rosto. Ele notou uma série de alavancas sob a lente, rotuladas com símbolos que eles tinham visto em seu mapa. "Se ajustarmos o foco, podemos redirecionar o poder!" Ele agarrou uma alavanca próxima e puxou.
A ilha estremeceu e, então, lentamente começou a se mover, deslizando em direção a um distante aglomerado de ilhas. "Conseguimos!", Elara exclamou, abraçando Wren com força. Enquanto navegavam em direção ao horizonte, Elara sorriu. "Como Helen Keller disse, 'A vida é uma aventura ousada ou não é nada.' E isto", ela declarou, observando as nuvens passarem, "é apenas o começo."