A Cisão do Átomo (1942, Alemanha)

Dois de dezembro de mil novecentos e quarenta e dois: a quadra de squash sob a Universidade de Chicago pulsava com uma energia estranha e invisível. Enrico Fermi, com gotas de suor na testa, observava os instrumentos atentamente. Um silêncio caiu sobre os cientistas reunidos. Mas como este frágil experimento poderia desencadear uma destruição tão sem precedentes?

A jornada até este momento começou décadas antes, com o trabalho teórico de físicos como Lise Meitner. Em mil novecentos e trinta e oito, Meitner, trabalhando com Otto Hahn, compreendeu a verdadeira natureza da fissão nuclear, um processo que Hahn havia demonstrado experimentalmente. "Pode ser possível que tais núcleos se quebrem em vários menores... todos juntos mais pesados que os núcleos de urânio", ela escreveu em uma carta a Hahn. Mas essas descobertas, impulsionadas pela ciência pura, logo seriam apanhadas pelas correntes da guerra.

Em mil novecentos e trinta e nove, Leo Szilard, reconhecendo o potencial de uma reação nuclear em cadeia, procurou Albert Einstein. Ele explicou como a divisão de átomos de urânio poderia liberar uma energia inimaginável. Einstein, com sua testa notoriamente franzida aprofundada pela preocupação, ouviu atentamente. A ameaça da Alemanha Nazista transformar essa descoberta em arma os impulsionou à ação.

Naquele mesmo ano, Szilard e Einstein escreveram uma carta ao Presidente Franklin D. Roosevelt, alertando para a possibilidade de "bombas extremamente poderosas de um novo tipo". Roosevelt, um pragmático que enfrentava um mundo à beira da guerra, compreendeu a gravidade do aviso. A carta deu início ao programa ultrassecreto que viria a ser o Projeto Manhattan.

O General Leslie Groves, um homem conhecido por suas habilidades organizacionais e determinação inabalável, foi colocado no comando do Projeto Manhattan. Ele supervisionou a construção de vastas e secretas instalações como Oak Ridge. Dorothy Hodgkin e Alvin Weinberg estão prestando consultoria lá. "O tempo é essencial", Groves latiu, impulsionando o projeto com eficiência implacável, "devemos garantir esta arma antes que o inimigo o faça."

O experimento de Fermi em Chicago, a culminação de anos de trabalho teórico e experimental, atingiu um estágio crítico. Ele exclamou calmamente: "Inserindo barra de controle... agora!" Os instrumentos piscaram e, então, silêncio. A primeira reação nuclear em cadeia autossustentável havia sido alcançada. O mundo nunca mais seria o mesmo.

A notícia do sucesso de Fermi chegou a Los Alamos, Novo México, onde J. Robert Oppenheimer liderava o esforço para projetar a bomba atômica. O físico brilhante, mas atormentado, debatia-se com as implicações morais de seu trabalho. "Sabíamos que o mundo não seria o mesmo", Oppenheimer refletiu mais tarde. "Algumas pessoas riram, algumas pessoas choraram, a maioria das pessoas ficou em silêncio."

O presidente Harry S. Truman, agora no cargo após a morte de Roosevelt, enfrentou uma decisão angustiante. Ele se reuniu com Henry Stimson, seu Secretário de Guerra, para pesar as opções. "O que podemos fazer para acabar com a guerra?", Truman perguntou. Stimson argumentou que usar a bomba atômica poderia ser a única maneira de evitar uma custosa invasão do Japão.

Em seis de agosto de mil novecentos e quarenta e cinco, o bombardeiro B-vinte e nove Enola Gay, pilotado por Paul Tibbets, lançou a bomba atômica sobre Hiroshima. A devastação foi inimaginável. Dias depois, uma segunda bomba foi lançada sobre Nagasaki. O Japão se rendeu logo em seguida.

Em dois de setembro de mil novecentos e quarenta e cinco, a bordo do USS Missouri, na Baía de Tóquio, o Japão se rendeu formalmente ao General Douglas MacArthur. A divisão do átomo havia encerrado a Segunda Guerra Mundial, mas também inaugurou uma nova era, assombrada pelo espectro das armas nucleares. Como Albert Einstein havia alertado: "Não sei com que armas a Terceira Guerra Mundial será travada, mas a Quarta Guerra Mundial será travada com paus e pedras."