A História de Ninar da Coruja

"Depressa, Elara, ou os gigantes de gelo vão nos pegar!", berrou Bjorn, sua respiração embaçando no ar gélido. Elara, agasalhada em peles, lutava para manter o ritmo enquanto eles se arrastavam pela tundra coberta de neve. "Você tem certeza de que a árvore da Coruja Sussurrante é por aqui?", ela perguntou, sua voz tensa de apreensão. O vento uivava, como se zombasse de sua busca na beira do mundo.

Bjorn apontou uma mão enluvada para uma árvore retorcida e coberta de gelo ao longe. "O Velho Torvin me disse, antes de virar uma escultura de gelo, que a árvore da Coruja Sussurrante guarda um segredo: uma pena que guia os sonhos." Elara apertou os olhos. Meio enterrado no monte de neve a seus pés, ela avistou algo brilhando. "Bjorn, olhe! É um caco de... vidro?"

"Aquele não é um copo qualquer", uma voz grasnou. Empolechada no topo da árvore retorcida estava uma pequena coruja, suas penas da cor da neve. "É um caco de sonho, capaz de mostrar o futuro do sono. Mas cuidado, apenas um coração puro pode usá-lo." Bjorn olhou para Elara. "Como Leonardo da Vinci disse, 'Nada fortalece tanto a autoridade quanto o silêncio.' Talvez devêssemos fugir e encontrar a pena." Elara permaneceu firme. "Não, precisamos saber o que está acontecendo em nossos sonhos!"

A coruja piou suavemente. "Para usar o fragmento, você deve primeiro alcançar a cachoeira congelada." Bjorn gemeu. "Isso fica do outro lado dos Picos Uivantes! Levará dias!" Elara, no entanto, já estava se movendo. "Não temos dias, Bjorn. Meus sonhos estão cheios de criaturas das sombras." Enquanto eles começavam sua jornada, o vento chicoteava ao redor deles, uma manifestação física do desafio que se aproximava.

Depois de horas de viagem, eles tropeçaram em uma pequena caverna, protegida do vento. Lá dentro, aninhado entre estranhas formações de gelo, havia um mapa antigo gravado em uma pele de rena. "Olha, Bjorn! Um mapa dos picos!", exclamou Elara, traçando um caminho com o dedo. "E olha! Ele mostra que as 'criaturas das sombras' se alimentam de emoções negativas... medo, tristeza, solidão. Se formos corajosos e felizes, elas não podem nos machucar."

De repente, um tremor sacudiu a caverna. Lá fora, um gigante de gelo imponente emergiu, seus olhos como lascas de gelo. "Mortais! Vocês invadem minha terra!", ele bradou, sua voz ecoando pelos picos. Bjorn agarrou a mão de Elara, o medo estampado em seu rosto. "Corra, Elara, corra! Não podemos lutar com ele!" Mas, ao se virarem para fugir, a entrada da caverna desabou, prendendo-os lá dentro.

"Precisamos ser espertos", disse Elara, tentando manter a voz firme. "Lembram o que o mapa dizia? Eles se alimentam do medo. Precisamos pensar em coisas felizes." Bjorn respirou fundo. "Tá bom... Lembro quando pesquei o maior peixe no lago congelado!" Ele começou a rir, o som ecoando na caverna. Elara o acompanhou, lembrando-se de uma história engraçada que o Velho Torvin costumava contar. "Somos corajosos e felizes, seu valentão!" ela gritou para o gigante de gelo.

O gigante de gelo pareceu recuar, confuso com o riso deles. Elara lembrou-se do fragmento de sonho. "Agora, Bjorn!", ela gritou. Ela ergueu o fragmento de vidro, focando em uma memória feliz: sua mãe cantando uma canção de ninar para ela. O fragmento brilhou, lançando um feixe de luz em direção ao gigante. Como se lembrasse da feliz canção de ninar, o gigante de gelo sorriu. "Talvez eu não queira lutar! Eu só preciso de um abraço", disse ele, sua voz de repente gentil.

O gigante cuidadosamente estendeu sua mão enorme para dentro da caverna. Elara, sem hesitar, deu um passo à frente e o abraçou. O gigante, surpreso, deu uma risadinha. Com um empurrão gentil, ele desobstruiu a entrada que havia desabado. "Obrigado", ele resmungou. "Eu só precisava de um pouco de gentileza."

Na beira da tundra, Elara e Bjorn observavam o gigante desaparecer na neve rodopiante.