A Nuvem Travesseiro
"Anda, Elara, antes que o sol se ponha completamente!", Jasper chamou, sua voz ecoando levemente. Elara, apertando seu livro gasto, tropeçou em uma raiz, quase o derrubando. "Estou indo, estou indo! Mas esta colina é mais íngreme do que parece", ela ofegou, finalmente alcançando o lado dele. A Clareira Sussurrante estava logo à frente, e Elara esperava que as lendas fossem verdadeiras.
A Clareira tremeluzia com uma luz de outro mundo. "Olha!", Jasper ofegou, apontando para uma planta peculiar com folhas brilhantes. Elara se aproximou cautelosamente. "É uma Flor Lumina", ela sussurrou, reconhecendo-a de seu livro. Ela tinha lido que ela só florescia sob nuvens de sonho especiais e guardava o segredo para sonhos mais suaves. "Talvez", Jasper disse, sorrindo, "pudéssemos levar uma para casa."
"Pegá-los seria errado, Jasper. O livro diz que eles são essenciais para manter a clareira segura e equilibrada", disse Elara, balançando a cabeça. Jasper franziu a testa. "Mas meus sonhos têm sido tão... difíceis ultimamente. Eu me viro e remexo a noite toda!" Elara suspirou, então olhou para seu livro novamente. "Bem, talvez... talvez haja outra maneira. 'As melhores e mais belas coisas do mundo não podem ser vistas nem tocadas - elas devem ser sentidas com o coração', disse Helen Keller. Talvez haja algo mais aqui que possa ajudar."
De repente, uma voz minúscula guinchou: "Procurando algo macio, é?" Elara e Jasper pularam, assustados. Uma pequena criatura fofa com grandes olhos inocentes espiou por trás de uma Flor Lumina. "Quem é você?", Jasper perguntou, cautelosamente dando um passo para trás. "Eu sou Pip! E ouvi vocês falando sobre sonhos. Eu sei tudo sobre coisas macias."
Pip se adiantou, gingando. "Eu coleto penugem das Ovelhas dos Sonhos", ele anunciou orgulhosamente, estufando o peito. "Ovelhas dos Sonhos?", Elara perguntou, intrigada. "Elas pastam na grama estelar e a lã delas vira nuvens dos sonhos mais macios! Elas são uma espécie muito rara, conhecida por viver apenas na beira dos sonhos, onde a imaginação toca a realidade", Pip explicou. "E eu junto a penugem que cai para fazer ninhos confortáveis!"
"Leve-nos às Ovelhas dos Sonhos!", Jasper implorou, com os olhos arregalados de esperança. Pip franziu a testa. "Ah, céus, ah, céus. Chegar à beira dos sonhos não é fácil! E... a Nuvem de Travesseiros está bloqueando o caminho", ele disse preocupado. "A Nuvem de Travesseiros?", Elara perguntou. Pip estremeceu. "É uma nuvem grande e rabugenta feita de pesadelos! Ela odeia coisas macias e ADORA impedir as pessoas de terem bons sonhos!"
"Temos que tentar!", Jasper insistiu. "Meus sonhos são horríveis. Vamos enfrentar aquela Nuvem de Travesseiros juntos!" Elara assentiu, sua determinação retornando. "Pip, você pode nos guiar?" Pip hesitou, então estufou o peito novamente. "Certo! Mas vamos precisar de um plano. A Nuvem de Travesseiros odeia qualquer coisa alegre e brilhante. Precisamos encontrar uma maneira de tornar nossos sonhos mais brilhantes do que nossos medos!"
O trio viajou por paisagens oníricas até chegarem à Nuvem Travesseiro. Ela pairava diante deles, uma massa turbulenta de cinza e preto. "É ainda mais assustador de perto!", Jasper choramingou. Elara lembrou-se da luz suave da Flor Lumina. "Lembra da Flor Lumina? E se usarmos a luz dela para fortalecer nossas memórias mais felizes?". Ela tirou um pequeno espelho do bolso, refletindo o brilho suave da grama-estrela na nuvem. A nuvem começou a encolher. "Rápido! Brilhem seus pensamentos mais felizes nela!".
Jasper fechou os olhos, pensando em rir com Elara na Clareira. Pip lembrou-se do seu ninho mais macio. A luz intensificou-se, e a Nuvem de Travesseiros dissolveu-se em inofensivos tufos de penugem de sonho. "Nós conseguimos!" Jasper exclamou, pegando a mão de Elara. "A luz dos pensamentos felizes é mais forte do que qualquer pesadelo!" Pip chilreou, "Lembrem-se de sempre deixar seus sonhos mais brilhantes resplandecerem!"
De volta à Clareira Sussurrante, Elara sorriu. "Meus sonhos já parecem mais leves." Jasper assentiu. "Os meus também. E sabe de uma coisa, Elara?" "O quê?" Elara perguntou. "'O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos', assim como Eleanor Roosevelt disse!" Jasper declarou, sorrindo. Eles sabiam que, juntos, poderiam enfrentar qualquer pesadelo.