Como Ada Lovelace Imaginou a Computação um Século Antes de Ela Existir

Em 1843, Ada Lovelace escreveu o que hoje é reconhecido como o primeiro programa de computador publicado — para uma máquina que nunca foi construída, no século que tornou uma máquina como essa concebível.

Em 1837, o matemático inglês Charles Babbage começou a projetar o que ele chamou de Máquina Analítica — um dispositivo mecânico, movido a vapor e controlado por cartões perfurados emprestados da indústria têxtil, capaz de realizar qualquer cálculo que fosse instruído a executar. Não foi a primeira máquina de calcular que ele propôs; um projeto anterior, a Máquina Diferencial, só conseguia calcular tabelas matemáticas fixas. A Máquina Analítica era diferente em sua natureza: de propósito geral, programável, capaz de receber um conjunto diferente de instruções e produzir um resultado diferente. Babbage nunca conseguiu o financiamento para construí-la por completo.

Ada Lovelace, matemática e única filha legítima do poeta Lord Byron, traduziu um artigo de um engenheiro italiano sobre a Máquina Analítica em 1843 e adicionou suas próprias notas — que eram três vezes mais longas que o artigo original. Dentro delas, há um método passo a passo para a máquina calcular os números de Bernoulli, uma sequência usada em toda a matemática. Historiadores da computação agora consideram isso o primeiro algoritmo publicado escrito para um computador de propósito geral, uma descrição de software escrita antes que houvesse hardware capaz de executá-lo. Lovelace também escreveu, mais precisamente do que o próprio Babbage, que tal máquina poderia um dia manipular mais do que números — música, imagens, símbolos de qualquer tipo — uma ideia que não seria realizada por mais de um século.

Nada disso acontece isolado de seu momento. A Revolução Industrial, que ocorreu aproximadamente de meados do século XVIII a meados do século XIX na Grã-Bretanha e na Europa, foi o que tornou a Máquina Analítica concebível: metalurgia de precisão, energia a vapor e uma economia cada vez mais confortável com a ideia de que uma máquina poderia fazer o trabalho que uma sala cheia de pessoas costumava fazer à mão. As ambições de Babbage eram, nesse sentido, inteiramente de seu século — tecnicamente prematuras, mas não fora de lugar.

De onde vieram os cartões perfurados

Babbage não inventou o cartão perfurado. Ele o pegou diretamente da indústria têxtil, de um tear demonstrado em Lyon em 1801 pelo tecelão Joseph-Marie Jacquard, que usava uma corrente de cartões perfurados para controlar quais fios um tear mecânico levantava — permitindo que um único tear tecesse padrões elaborados sem um operador habilidoso direcionando cada passagem à mão. Babbage adaptou a mesma ideia para controlar cálculos em vez de tecido: os cartões alimentariam tanto os números quanto as instruções sobre o que fazer com eles na Máquina Analítica, com um segundo baralho repetível capaz de enviar a máquina de volta para reutilizar instruções anteriores — a mesma ideia básica por trás de um loop em software hoje. Lovelace explicitou a conexão em suas próprias notas, escrevendo que a Máquina Analítica "tece padrões algébricos assim como o tear de Jacquard tece flores e folhas". Até mesmo as duas partes principais da máquina emprestaram seus nomes das fábricas da época: Babbage chamou a parte que armazenava números de Armazém (Store) e a parte que agia sobre eles de Moinho (Mill) — ancestrais diretos do que um computador moderno chama de memória e processador.

Provando o projeto, um século e meio depois

Babbage nunca conseguiu o financiamento para completar a Máquina Analítica, e por mais de um século depois permaneceu uma questão em aberto se seus projetos teriam funcionado, ou se a engenharia da era vitoriana era simplesmente muito imprecisa para construir o que ele havia desenhado. Em 1985, o Museu da Ciência de Londres decidiu responder a isso diretamente, construindo uma versão da máquina anterior e mais simples de Babbage — a Máquina Diferencial Nº 2 — estritamente a partir de seus próprios desenhos de 1847-49, usando apenas tolerâncias de fabricação que teriam sido alcançáveis em sua própria vida. A seção de cálculo foi concluída em 1991, a tempo do bicentenário do nascimento de Babbage; um mecanismo de impressão que ele também havia projetado foi adicionado em 2002. Funcionou. A máquina finalizada, com 8.000 peças e cinco toneladas, ainda funciona hoje no Museu da Ciência em Londres — encerrando uma questão que estava aberta desde a década de 1830: não se Babbage era um visionário, mas se sua engenharia era realmente sólida.


Três ângulos, uma biblioteca

Esta história se encaixa em três das doze bibliotecas WonderBooks ao mesmo tempo — a pessoa, a máquina e a era recebem sua própria narrativa ilustrada, e podem ser lidas em qualquer ordem ou individualmente.

Ada Lovelace — capa do livro — Wonder Science
Ada Lovelace → Wonder Science — a matemática e suas anotações. Explorar Wonder Science →
A Máquina Analítica de Charles Babbage — capa do livro — Wonder Inventions
A Máquina Analítica de Charles Babbage → Wonder Inventions — a própria máquina, e por que nunca foi terminada. Explorar Wonder Inventions →
A Revolução Industrial — capa do livro — Wonder History
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Perguntas frequentes

Ada Lovelace chegou a construir um computador funcional?

Não — nem Lovelace nem Babbage construíram a Máquina Analítica em suas vidas; ela existiu apenas como desenhos e notas. O que Lovelace produziu foi o algoritmo: um método detalhado, passo a passo, para a máquina calcular uma sequência de números, escrito anos antes de qualquer máquina existir que pudesse executá-lo.

A Máquina Analítica de Babbage foi realmente construída?

A Máquina Analítica em si nunca foi construída, nem no século XIX nem desde então. O que o Museu da Ciência de Londres concluiu em 1991 foi a Máquina Diferencial Nº 2, anterior e mais simples de Babbage, construída estritamente de acordo com seus próprios desenhos — prova de que seus projetos mecânicos teriam funcionado, embora isso não confirme todos os detalhes da mais ambiciosa Máquina Analítica.

Por que Ada Lovelace é chamada de a primeira programadora de computador?

Suas notas de 1843 sobre a Máquina Analítica incluem um método detalhado para calcular os números de Bernoulli, uma sequência matemática real, escrito como uma sequência precisa de operações para a máquina executar. Historiadores da computação reconhecem isso como o primeiro algoritmo publicado escrito para uma máquina de computação de propósito geral, mesmo que a máquina para executá-lo ainda não existisse.

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