Por que a Química do Oceano Está Mudando, Explicado de Forma Simples

O oceano absorveu cerca de um terço do dióxido de carbono da humanidade desde a Revolução Industrial. Aqui está a química real por trás do que isso está fazendo a ele.

Desde o início da Revolução Industrial, os humanos liberaram enormes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera queimando combustíveis fósseis e desmatando terras. O oceano absorveu silenciosamente cerca de trinta por cento desse CO2, agindo como um amortecedor gigante que diminuiu o ritmo do aquecimento atmosférico. Essa absorção não é gratuita, quimicamente falando — ela mudou mensuravelmente a própria química do oceano, um processo que os cientistas chamam de acidificação oceânica.

A ideia parece abstrata até ser dividida em etapas químicas reais, que são simples o suficiente para seguir sem um diploma em química, e específicas o suficiente para explicar exatamente por que a mudança é importante para os animais que vivem nessa água.

A química, em quatro etapas

O dióxido de carbono se dissolve na camada superficial do oceano diretamente do ar acima dele. Uma vez dissolvido, esse CO2 reage com a água do mar para formar ácido carbônico. O ácido carbônico é instável e rapidamente se decompõe em íons bicarbonato e íons hidrogênio livres. Esses íons hidrogênio são o que realmente tornam a água mais ácida — o pH é, literalmente, uma medida da concentração de íons hidrogênio — e eles não param por aí: eles também reagem com os íons carbonato existentes na água, convertendo-os em mais bicarbonato e deixando menos íons carbonato para trás. Essa última etapa é a que tem consequências reais, porque os íons carbonato são a matéria-prima que muitos organismos marinhos usam para construir conchas e esqueletos de carbonato de cálcio.

Um pequeno número que significa uma grande mudança

O pH médio da superfície do oceano antes da Revolução Industrial é estimado em cerca de 8,2. Desde então, caiu cerca de 0,1 unidades. Isso parece menor, mas a escala de pH é logarítmica, o que significa que uma queda de 0,1 unidade corresponde a um aumento na acidez de aproximadamente trinta por cento, não dez. Se as emissões de carbono continuarem em um caminho descontrolado, os modelos projetam que o pH do oceano poderá cair mais 0,3 unidades até 2100 — uma mudança em uma escala não vista no registro geológico por dezenas de milhões de anos.

Por que isso importa além da própria química

Menos íons carbonato disponíveis dificultam a construção e manutenção de suas conchas e esqueletos para corais, ostras, mexilhões, ouriços-do-mar e muitos tipos de plâncton, já que parte da energia que eles gastariam crescendo agora é usada para combater a química da água ao seu redor. Os efeitos também não se limitam às espécies que constroem conchas: pesquisadores que estudam o comportamento dos peixes descobriram que a água mais ácida reduz mensuravelmente a capacidade de alguns peixes, incluindo peixes-palhaço, de detectar os sinais químicos de predadores próximos — uma mudança na química do oceano que se traduz diretamente em uma mudança na capacidade de um animal de sentir o perigo.


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Perguntas frequentes

O que é acidificação oceânica, em termos simples?

É a queda do pH do oceano causada pela absorção de dióxido de carbono da atmosfera pela água do mar. O CO2 dissolvido forma ácido carbônico, que libera íons hidrogênio que tornam a água mais ácida e reduzem a quantidade de íons carbonato disponíveis — sendo o carbonato o material que muitos animais marinhos precisam para construir conchas e esqueletos.

Quanto o pH do oceano realmente mudou?

O pH médio da superfície do oceano caiu cerca de 0,1 unidades desde antes da Revolução Industrial, de aproximadamente 8,2 para cerca de 8,1. Como o pH é medido em uma escala logarítmica, essa queda de 0,1 unidade representa um aumento na acidez de cerca de trinta por cento.

A acidificação oceânica afeta apenas mariscos e corais?

Não. Embora organismos calcificadores como corais, ostras e alguns plânctons sejam os mais diretamente afetados porque precisam de íons carbonato para construir conchas, pesquisas também encontraram efeitos comportamentais em peixes — por exemplo, redução da capacidade em peixes-palhaço de detectar o cheiro químico de predadores em água mais ácida.

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